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29 de jul. de 2011

[Yale] O Brasil está na moda


Não sei se já comentei, mas o Yale Publishing Course 2011 tem 64 alunos de diversos países, sendo 7 do Brasil, o que representa mais de 10% do total. Nós, brasileiros, só perdemos em quantidade para Nova York, que fica a apenas duas horas de distância daqui e concentra os escritórios das maiores e mais importantes editoras dos Estados Unidos.

Se você está pensando “UAU”, seja bem-vindo ao clube! A reação é exatamente essa: surpresa! O mercado editorial brasileiro não está mais aquecido: está FERVENDO! E todo mundo está interessado em fazer negócios com a gente.

Os não-brasileiros aqui presentes já distribuíram cartões, pegaram nosso contato, e garantiram uma visita muito em breve. E antes que as piadinhas sobre gringos interessados no Brasil comecem, essas visitas têm fins exclusivamente comerciais. Pois é: o Brasil está na moda!

Prova disso é que ontem, durante a palestra PUBLISHING IN THE AGE OF GLOBALIZATION (Editando na era da globalização), ministrada por ED NAWOTKA (que tinha acabado de chegar de São Paulo, diretamente do 2o. Congresso do Livro Digital), falou-se do mercado editorial no mundo inteiro e, para surpresa brasileira, aparecemos no telão como exemplo de cases de sucesso editorial, comercial e de marketing. Isso mesmo!

Primeiro, Ed Falou sobre o sucesso mundial dos livros do Paulo Coelho e, em seguida, o livro Ágape, best-seller do Padre Marcelo Rossi (Editora Globo), que lidera há meses as listas de mais vendidos, estava no telão.







Não parou por aí: Deixe os homens aos seus pés, de Marie Forleo (Universo dos Livros) foi altamente elogiado pela campanha de marketing vinculada à vencedora do BBB11, Maria Melilo.







Por fim, A batalha do Apocalipse, Eduardo Spohr (Verus), apareceu como sucesso de literatura fantástica nacional.






Além disso, Nawotka mostrou em sua apresentação dados bastante significativos da indústria literária brasileira: 


Não posso negar que senti muito orgulho em ser brasileira, não só porque o livro Deixe os homens aos seus pés, citado acima, é sucesso coletivo da editora em que trabalho, e que dediquei grande esforço na divulgação e marketing; mas, principalmente, porque finalmente estamos sendo reconhecidos mundialmente no mercado editorial. E isso não é pouca coisa!

E apesar de ainda sermos considerados atrasados (estamos 5 anos atrás dos EUA, por exemplo), estamos correndo atrás do prejuízo e da liderança (prova disso é que a pessoa mais nova do curso sou eu, uma brasileira!) de um mercado que conhecemos muito bem.

Essa a nossa hora de fazer o mercado editorial brasileiro acontecer.  Por isso, mãos à obra!

29 de out. de 2010

FELIZ DIA NACIONAL DO LIVRO PARA TODOS NÓS!

Chega a me emocionar quando vejo a quantidade de reportagens, tweets e posts sobre o DIA NACIONAL DO LIVRO, que é comemorado hoje, em 29 de outubro, em homenagem à data da fundação da BIBLIOTECA NACIONAL, que este ano completa nada menos do que 200 anos!

A Biblioteca Nacional surgiu nasceu com a transferência da Real Biblioteca de Portugal para o Brasil. Ao cruzar o oceano rumo ao novo reino, o príncipe Dom João VI trouxe consigo sua biblioteca. O Brasil independente transformou a velha coleção real em biblioteca oficial do novo país. 



No início, o acervo de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, moedas etc., ficava acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro. Em 1858, houve a mudança para o edifício no Passeio Público, sobre o qual foi erguida a atual Escola da Música. Foi apenas em 29 de outubro de 1910 que a Biblioteca encontrou sua sede definitiva, no edifício monumental projetado por Francisco Marcelino de Souza Aguiar. O evento fez parte do momento da arquitetura brasileira, quando as reformas urbanas do prefeito Pereira Passos fizeram da Av. Central o marco do Rio de Janeiro como a capital moderna do Brasil republicano. 


A Fundação Biblioteca Nacional possui uma das mais raras e ricas coleções em suporte papel do mundo, de acordo com a UNESCO, o que é surpreendente, já que durante seus 300 anos iniciais de história atlântica, Portugal proibiu e controlou a entrada de livros no Brasil.
Essa herança que Portugual nos deixou é, sem dúvida, um presente e uma das melhores coisas que essa colônica já recebeu! 
Cabe a nós aproveitar! Comemore o dia do livro você também! É um dia de todos nós!! 
Leia! Releia! Dê livros de presente! Faça promoções! Escreva! Passe a ideia de ler adiante! 

E o meu presente para vocês, é a minha frase preferida referente aos livros. É a frase da minha vida: 

"Os livros não mudam o mundo. 
Quem muda o mundo são as pessoas. 
Os livros só mudam as pessoas." 
(Mario Quintana)



FELIZ DIA NACIONAL DO LIVRO PARA TODOS NÓS, PORQUE TODOS MERECEMOS!!


13 de out. de 2010

Frankfurt Book Fair 2010

Sem dúvida alguma a Frankfurt Book Fair é a maior e principal feira do mercado literário do mundo. Ela acontece anualmente, sempre no mês de outubro, e reúne não só os agentes literários, mas também os editores, donos de editoras, autores e muitos curiosos de todo o mundo.



A edição deste ano da Feira do Livro de Frankfurt durou de 5 a 10 de outubro. A 62ª edição da Feira, teve como convidada de honra a Argentina, o  que significou ao país ter o privilégio de ocupar um pavilhão nobre, montado em formato de labiritinto, em homenagem a um de seus maiores nomes, Jorge Luis Borges. A abertura do evento contou, inclusive, com a presença de Cristina Kirchner, presidente da Argentina.






Neste ano, em especial, a Feira de Frankfurt
foi mais importante que o habitual para fechamento de negócios, já que o vulcão islandês Eyjafjallajokull atrapalhou a Feira de Londres, no primeiro semestre. E, por isso, a Feira de Frankfurt 2010 teve um saldo bastante positivo, com 279,3 mil visitantes e 7.539 expositores de 111 países, segundo informações divulgadas no PublishNews. Ainda na mesma reportagem, os números que mais chamam a atenção são os da participação e atuação do Brasil na Feira, pois os negócios giraram em torno dos US$ 170 mil. A estimativa é do projeto BrazilianPublishers, que ouviu 80% dos editores presentes à maior feira de livros do mundo – e que participaram do estande coletivo da Câmara Brasileira do Livro. Ainda segundo o levantamento, a expectativa é que os contatos feitos na Alemanha ainda rendam ao menos US$ 274 mil durante o próximo ano. 

Outros destaques foram: 59% dos expositores ficaram satisfeitos com a qualidade dos contatos comerciais realizados e 77% dos expositores indicaram como ótimo o atendimento que receberam da CBL durante a feira. No total, foram realizadas mais de 730 reuniões. 

Agora é hora de começar a se preparar para 2013, quando o Brasil será o convidado de honra e terá, ali, uma excelente oportunidade de apresentar sua produção literária e com a obrigação de não repetir o constrangimento de 1995, quando o estande nacional foi ocupado por um show de mulatas. Um bom começo é o Programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros. As inscrições vão até 23 de outubro.
 

26 de ago. de 2010

[Dicas de outras boas leituras] Fim do impresso? Que nada...!

Matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, no caderno Ilustríssima, em 15 de agosto de 2010. Texto muito interessante, que vale mesmo a leitura, já que estamos no auge das discussões sobre o fim do livro impresso e, mesmo assim, nunca se publicou tanto.
Entre as consequências dessa profusão editorial estão uma crise de superprodução no mercado mundial, que passa a lidar com grandes encalhes, e um processo de banalização do livro, que alguns já veem como objeto descartável.



Sobre livros perdidos e encalhados


JOSÉLIA AGUIAR


O MODISMO CHAMADO "O Código Da Vinci", o romance histórico-policial de Dan Brown, estava no auge quando o Eurostar, serviço europeu de trens de alta velocidade, divulgou a notícia de que, ao cabo de um ano, quase mil exemplares do best-seller haviam sido deixados na linha Londres-Paris.

"O que pensar disso?", perguntou-se uma colunista, chocada. "Devemos achar que as pessoas jogam livros fora como se fossem lenços de papel?", perguntou outro articulista -ambos na França. "Sinal da má qualidade da trama", concluiu viperinamente um suplemento cultural. "Quantos exemplares não foram atirados pela janela ou descartados no vaso do toillette!?", debochou o colunista.

Os promotores do filme baseado no livro não demoraram a usar a notícia a seu favor. O mistério dos livros perdidos se converteu em jogada de marketing. O fenômeno seria um sinal do envolvimento dos tantos leitores que, no embalo de Dan Brown, pegavam o trem para visitar o Museu do Louvre para ver de perto a tela do pintor renascentista.


SUPEROFERTA O descarte de tantos "Código Da Vinci", por um motivo ou outro, trazia de volta, porém, o antigo debate -que data do século 18- sobre a superoferta de títulos. O mal-estar com o excesso de informação só se intensificou no começo do 21, como lembra à Folha o historiador Robert Darnton, autor de "A Questão dos Livros - Passado, Presente e Futuro" (trad. Daniel Pellizzari, Companhia das Letras). No início do mês, ele foi uma das atrações da Flip.

Quando tantos anunciam o fim do livro, nunca se publicou tanto: a cada ano, são cerca de 1 milhão de títulos, com milhares de exemplares por tiragem, acrescenta Darnton. Ele adora repetir esses números quando lhe perguntam sobre o "fim" do livro.

Não é outra a reflexão de Michel Melot, historiador francês, autor de "Livre", ainda sem tradução no país. Desde 1880, lembra ele, anuncia-se o fim do livro. "Mas a única crise, hoje, parece ser a de superprodução", afirmou, por e-mail, de Paris. Como conta Melot, de 1980 a 2000, o número de títulos lançados dobrou na França. O fenômeno também pode ser observado no mercado anglo-saxão ou latino-americano. "O livro não desaparece: está se tornando comum. Pode ser encontrado em qualquer momento da vida cotidiana e em cada mão."

LIVROS DEMAIS Até o último domingo, o Google contabilizava, em todo o mundo, 129.864.880 de títulos, numa consulta a cerca de 150 fontes (bibliotecas, livrarias, catálogos e fornecedores). Na mesma semana, às vésperas da abertura da 21ª Bienal do Livro de São Paulo, a Câmara Brasileira do Livro, o sindicato dos editores e a Fipe divulgaram que, em 2009, foram publicados no país 52.509 títulos (2,7% a mais do que em 2008), com um total de 386.367.136 exemplares (aumento de 13, 5%). As vendas em 2009 atingiram 228.704.288 exemplares.

Não que as 157.662.848 cópias não absorvidas sejam encalhe. Mas, se não forem compradas, poderão vagar entre depósitos de editoras e livrarias, sem jamais serem abertas, até serem liquidadas em saldões ou virar aparas e confetes literários. Destruir livros é mais barato do que mantê-los no estoque.

Editoras são reticentes quando o tema é encalhe, fenômeno que ocorre mesmo em países com público leitor ainda em expansão, como o Brasil. Sob críticas, o grupo Ediouro, o maior do país, viu-se recentemente obrigado a voltar atrás na orientação que passou a livrarias sobre o que fazer com os livros não vendidos. Um e-mail orientava livreiros a não mais enviá-los de volta, como de costume: bastava devolver "a capa, quarta capa e ficha catalográfica [...]. O miolo deverá ser descartado".

"Sim, há uma superprodução", confirma por e-mail Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, a única a se pronunciar sobre o assunto. A editora registra um crescimento de 25% em títulos lançados de 2005 a 2009 -fazer o mercado absorver esse acréscimo torna-se um desafio de divulgação e vendas. "No Brasil, a situação se encaixa com alguns dos mesmos problemas que acontecem em todos os âmbitos - livros que vendem menos, vendem muito menos", analisa Schwarcz. "Mas, se o editor souber aproveitar nichos que estão em expansão, pode conseguir um equilíbrio."

Os números corroboram a tese do ensaísta mexicano Gabriel Zaid em "Livros demais!", de 1972 (trad. Felipe Lindoso, Summus, 2004): a leitura de livros cresce aritmeticamente, enquanto a escrita de livros cresce exponencialmente.
ACHADOS E PERDIDOS Nunca houve contagem por títulos, mas logo se vê que "O Código Da Vinci" não é o campeão de perdas numa visita ao setor de achados e perdidos do Metrô de São Paulo. Apenas um exemplar da obra se encontrava entre os 110 livros que aguardavam seus donos distraídos na manhã de 10 de junho -ao final de três meses, os que não são buscados seguem para doação.

A leitura preferida, ao menos dos que perdem livros, é a Bíblia. Havia 14 delas, completas ou apenas o Novo Testamento. Duas autoras aparecem duas vezes, com títulos diferentes: a médium brasileira Zibia Gasparetto, campeã de vendas com suas histórias psicografadas, e a britânica J.K. Rowling, da série Harry Potter.

Oito dezenas dividem-se entre os gêneros de autoajuda, romance best-seller e técnico-didático. Estavam lá, por exemplo, "O Segredo", de Rhonda Byrne, "A Cabana", de William P. Young, e "O Vendedor de Sonhos", de Augusto Cury -líderes das listas de mais vendidos nos últimos anos-, mas também "Polyanna", de Eleanor H. Porter, sucesso juvenil por diversas gerações.

Entre os técnico-didáticos, há obras de administração, direito, contabilidade, manual de corte e costura e um guia astrológico sobre comportamento sexual conforme o signo. No amontoado, apenas três clássicos: "Suave é a Noite", de F. Scott Fitzgerald, "Madame Bovary", de Gustave Flaubert, ambos em edições antigas, da década de 1980, e "Crime e Castigo", de Dostoiévski, em novíssima versão de banca. Nenhum de poesia. Nenhum de ficção brasileira ou estrangeira contemporânea. Nenhum de crítica literária. Nenhum filósofo, nem mesmo morto.

Cada vez mais coisas são perdidas no Metrô de São Paulo, diz Maria Beatriz Barbosa, 44, funcionária há 22 anos, hoje gerente de relacionamento com a comunidade. Em 2005, 18.700 objetos e documentos foram cadastrados. Em 2009, o número saltou para 33.800. "Há mais gente no metrô e há também mais pressa", diz, sobre esse crescimento de mais de 80%.

Livros perdidos podem ter crescido na mesma proporção, mas não se pode dizer ao certo, pois entram numa categoria que inclui também material escolar e de escritório. Os campeões de perdas são documentos (7.964), seguidos de cartões (5.863). Na categoria onde estão os livros, foram 2.936 registros, também até maio, terceiro lugar em perdas.

Há uma coincidência entre os livros mais esquecidos pelos passageiros do Metrô de São Paulo e aqueles indicados nos estudos sobre o comportamento de leitor dos brasileiros, avalia Galeno Amorim, coordenador da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", a mais abrangente sobre o tema, cuja segunda edição saiu em 2008.
O MAIS PERDIDO Em Londres, onde o consumo de livros chega, por ano, a 18 por habitante, 36,8 mil exemplares foram perdidos (ou descartados?) no sistema de transportes (metrô, trens e ônibus). (A Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, acaba de reabrir com apenas 42 mil exemplares na seção circulante). O livro é o campeão entre os objetos reunidos no cafarnaum londrino, superando roupas, bolsas e bizarrices como implantes de seios, cortador de grama e até cinzas humanas, informa Ronnie Mirza, assessora de imprensa do departamento de transporte.

Podemos dizer que seremos um país de leitores quando mais livros forem perdidos no metrô? Ou tantos livros perdidos em grandes cidades desenvolvidas são o sintoma de algo ruim?

"A pergunta é muito interessante e eu não sei como respondê-la, mas posso tentar", diz Darnton. Há a resposta otimista e a pessimista, afirma. A otimista - a que ele prefere, pois, segundo explica, "americanos são otimistas"- é que mais gente lê e carrega livros por aí. E a resposta pessimista? Tantos novos títulos estariam banalizando a relação dos leitores com o objeto.

"Nunca joguei um livro fora, isso seria contra minha sensibilidade", conta Darnton. "Quando quero descartar livros, ponho em sacolas para doar." Michel Melot diz que não se lembra de ter jogado livros no lixo. Mas confessa que "esqueceu" voluntariamente um pacote de livros num vagão de trem. O presente foi dado a ele, como para outros convidados, por organizadores de um evento numa cidade cujo nome, por motivos óbvios, prefere omitir.

"Pareciam tão vazios quanto pesados", conta Melot, "e decidi me livrar deles antes de continuar a jornada, esperando que outros passageiros se interessassem."

22 de ago. de 2010

[Dicas de outras boas leituras] Você sabe quem são os maiores vendedores de livros do mundo??

Procurando novidades sobre o Mundo Editorial para divulgar, deparei-me com uma informação muito bacana no site FHAZNEW. Descubra quem são os maiores vendedores de livros no mundo:

Exemplares (milhões)
  • China ......7.103
  • EUA .....2.551
  • Japão .....1.403
  • Rússia .....494
  • Alemanha ..... 479
  • França ..... 413
  • Brasil ..... 345
  • Reino Unido – 324
  • Itália ..... 265
  • Espanha ..... 235
Onde há mais livrarias no Brasil ...
(livrarias por habitantes)

  • DF ..... 1 para 30.840
  • RJ ...... 1 para 44.415
  • SE ..... 1 para 50.665
  • SP ..... 1 para 59.171
  • TO ..... 1 para 181.131

...e no mundo

  • EUA ..... 1 para 15 mil
  • Argentina ..... 1 para 50 mil
  • Brasil ..... 1 para 70 mil
  • México ..... 1 para 170 mil

Você sabia?
O brasileiro lê, em média 4,7 livros por ano contra 10 nos EUA ou na França; e 15 nos países nórdicos. Dos 4,7 livros lidos pelos brasileiros,apenas 0,9 não são livros didáticos.
A Unesco (Organizações das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) recomenda que haja uma livraria para cada 10 mil pessoas. No Brasil,com 190 mil habitantes, há  2.700 livrarias para cada 70 mil habitantes.
Para saber quais são os livros mais vendidos da semana é só clicar aqui.
Fonte: Jornal do Senado

7 de ago. de 2010

O porquê da FLIP

Lembro que ainda estava no colégio quando aconteceu a primeira edição da Feira Literária Internacional de Paraty, a FLIP, em 2003. E foi nesta mesma edição que afirmei, confiante, que um dia eu ainda estaria lá. Foi apenas na edição de 2007, quatro anos depois, que consegui realizar este sonho.

Estava no último ano da faculdade de jornalismo da PUC-SP e meu TCC era sobre Nelson Rodrigues (qualquer dia farei um post sobre isso aqui), o homenageado de FLIP naquele mesmo ano. Conspirando a meu favor, meu pai trabalhava no Grupo Ediouro, que estava publicando as novas edições dos livros de Nelson. Prato cheio, né? Lá fui eu para Paraty!

Foi uma experiência única e, infelizmente, nunca mais a repeti, ainda.
É uma época em que se respira cultura, inala-se literatura... Cruzamos as ruas com autores famosos, vamos às festas e baladas com jornalistas, agentes e editores. É um luxo para o mercado. É um sonho aos aspirantes!

Deixando de lado toda importância do evento à cidade de Paraty, pois creio que isso seja bastante claro a todos nós, falemos aqui da importância de um evento como esse para o Brasil.
A FLIP recebe, todos os anos, autores mundialmente respeitados. E, por conta disso, o Brasil passou a fazer parte do cricuito dos festivais internacionais de literatura, sendo considerada um dos principais eventos do ramo; não só pelos autores convidados, mas também por todos os shows, debates, exposições, exibições, apresentações, oficinas e atividades que proporciona, aos adultos e às crianças. 






Concordo que a elite cultural do país é quem povoa as ruas da bela cidade do Rio de Janeiro nestes breves quatro dias de eventos. E que é um quadro que, dificilmente, mudará. Porém, incluir o Brasil neste circuito elitista de luxo cultural, é SIM um avanço para nosso país. É um convite ao exterior a conhecerem o nosso lado cultural, os nossos leitores, as nossas editoras, os nossos publishers. 


Por isso, eu sou muito a favor da FLIP. E aconselho, a todos vocês, passarem ao menos um dia por essa festa incrível, em alguma das próximas edições! E então, contem se eu estava certa, ou não...


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DICAS:

- O BLOG DA FLIP disponibilizou todos os vídeos das palestras desta edição que se encerra amanhã, 08/08/2010. Vale a pena dar aquela espiadinha...

- O BLOG DA COMPANHIA DAS LETRAS fez uma cobertura deliciosa de se ler sobre esta edição da FLIP, incluindo trechos de leituras feitas pelos próprios autores. Recomendo que facam uma boa leitura por lá.

31 de jul. de 2010

SIM, nós também lemos!

Essa semana foi de boas notícias, não só para nós do ramo editorial e apaixonados por livros, mas para todos nós cidadãos brasileiros; já que foi estaticamente comprovado que estamos lendo mais!

Uma pesquisa divulgada pela Associação Nacional de Livrarias, a ANL, sobre o Diagnóstico do Setor Livreiro em 2009, reveleu o aumento do número de lojas espalhadas pelo país. Segundo a pesquisa, atualmente, existem 2.980 livrarias em todo o Brasil, número proporcionalmente 11% maior do que em 2006.




Mas ainda temos muito o que crescer. Isso porque a desigualdade social do país fica escancarada em nossas caras no momento em que se analiza a divisão assustaduramente desleal desse númetro de livrarias espalhadas pelo Brasil: mais de 50% desss lojas concentram-se na região Sudeste, sendo liderada por São Paulo, com mais que o dobro do número de livrarias que o segundo colocado, Rio de Janeiro. Claro que fatores como alto nível de escolaridade e concentração de renda são os grandes influenciadores dessas estatíscas, que apesar de animadoras, são preocupantes! 




Sim, nós também lemos... Mas agora queremos ler por inteiro! É claro que para mudar o quadro da divisão da leitura do país é necessário pensar no quadro da divisão de renda do país. Mas fica aqui a fica para que os livreiros e editores passem a olhar com novos olhos para a atual situação do país e acreditem no potencial de mercdo que existe fora do eixo Rio-SP. A mesma pesquisa mostra, por exemplo, que o estado de Roraima, na região norte, possui apenas 25 livrarias, mas é um número proporcionalmente admirável, já que colocando na ponta do lápis, e o estado com a maior média nacional! A Bahia é outro estado que merece atenção do ramo, pois é líder da região nordeste. 


Fora esse tipo de amaurecimento no mercado, o Brasil está apenas engatinhando quando o assunto é aumento do índice de leitura no país, já que, segundo Vitor Tavares, Presidente da ANL, a nossa média é de 1.9 livros lidos por habitante ao ano, o que é muito abaixo de outros países, inclusive lationamericanos, como a Argentina e Chile, por exemplo, com 5 e 3 livros lidos por habitante ao ano; respectivamente. 

Outra dado que vale nossa atenção é que o gênero infantojuvenil é o mais vendido. E que 56% das livrarias do país não fazem vendas online, ou seja: nossos cidadãos gostam de ir às livrarias e levarem suas crianças! Isso, para os editores e livreiros é sinônimo de sucesso garantido, pois como disse Samuel Seibel, dono da rede Livraria da Vila, o "público infantil é 100% leitor!"

E se é estatiscamente comprovado que nossas crianças lêem, significa que meu sonho não é tão distante assim e que, muito em breve, nosso país será um Brasil de devoradores de livros!



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DICAS:

- O jornal BOM DIA BRASIL, da Rede Globo, fez uma boa matéria sobre o assunto, que também me serviu como fonte. Recomendo que assistam:




- A quem interessar, no site da ANL é possível fazer o dowload do PDF com a pesquisa na íntegra. Vale a pena, para quem quiser se inteirar mais dos números.

25 de jul. de 2010

AS MELHORES EDITORAS DO BRASIL EM 2010

Muitos de vocês devem ter achado meu post anterior uma babação de ovo para a Companhia das Letras, e talvez até me acharam louca de contar desse Sonho de Criança, sendo que trabalho em uma outra editora, que gosto tanto e visto a camisa mesmo.
Mas nada é por acaso. E eu só quis fazer uma breve explicação antes de postar aqui uma matéria do jornal Valor Econônico, com o Ranking das melhores editoras do Brasil em 2010. Adivinhem só quem ocupa a 1ª posição?? Sim, ela mesma! A minha queridinha Companhia, seguida pela belíssima Cosac Naify.
Leiam a matéria na íntegra, a seguir. Vale muito a pena! 
E Parabéns à Companhia das Letras, a ao Luiz Schwarcz e sua equipe, pelo título mais do que merecido!!







Por Márcio Ferrari, para o Valor Econômico, de São Paulo



Em número totalmente dedicado ao Brasil no mês passado, a "Wallpaper" abriu espaço, entre alguns assuntos mais previsíveis como top models, Oscar Niemeyer e música popular, para uma chamada de capa que anunciava um boom de livros no Brasil. A reportagem referia-se não só às editoras, mas também às livrarias. Não há dúvida de que as coisas mudaram para melhor, como constatou a revista britânica. Nos últimos três anos, o número de livrarias no país cresceu 10%, segundo o Diagnóstico do Setor Livreiro, que a Associação Nacional de Livrarias (ANL) divulga na terça-feira, às vésperas dos dois principais eventos literários do ano no Brasil: a cultuada Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e a superlativa 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Nesse novo capítulo da história do livro nacional, o Valor promoveu uma enquete com um grupo de críticos e professores para identifical qual é a melhor editora do Brasil. A Companhia das Letras ficou em primeiro lugar (81%), e a Cosac Naify em segundo (76%). E, mesmo que em quantidade de votos menor, número significativo de outras editoras foi mencionado, numa evidência de que o mercado editorial brasileiro vive um bom momento em qualidade e diversidade. Os votantes e os responsáveis pela linha editorial das duas casas mais votadas concordam que o panorama é um dos melhores da história do livro no Brasil. Para o diretor editorial da Cosac Naify, Cassiano Elek Machado, a reportagem da "Wallpaper" foi um sinal inesperado dessa vitalidade.

"Estamos vivendo um momento de esplendor", afirma Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, empresa que teve faturamento de R$ 56 milhões no ano passado. "O mercado todo se profissionalizou e os governos vêm investindo em educação, o que para as editoras é melhor do que isenção fiscal." Augusto Massi, editor-presidente da Cosac Naify, vê na própria empresa, fundada há 13 anos, os reflexos "de um público mais formado e de um comércio de livros mais profissionalizado": "De três ou quatro anos para cá, a editora amadureceu, mudou de patamar e de visibilidade".

A pesquisa promovida pelo Valor não teve a intenção de medir a eficiência empresarial, mas indicar as editoras que mais se destacam culturalmente. A votação se encaminhou naturalmente para a ênfase nas áreas artístico-literária e das ciências humanas e muitos dos votantes mencionaram a capacidade de interferir na vida cultural e de formar leitores como critérios para medir a qualidade de uma editora. Aos 21 especiliastas consultados, foi pedido que fossem escolhidas as três melhores casas editoriais. Ficaram de fora as áreas mais especializadas, como as dos livros técnicos, os de autoajuda e os didáticos e paradidáticos, embora a grande movimentação nesses setores nos últimos anos, em que ocorreram grandes fusões e incorporações, certamente influi no quadro geral.

Muitos dos votantes atribuíram à Companhia das Letras, que completa 25 anos em 2011, o estabelecimento de um padrão de qualidade que se tornou referência no mercado editorial. Massi concorda e considera a Cosac uma beneficiária desse precedente. Alguns dos integrantes do júri compararam a Companhia à antiga José Olympio, a casa editorial brasileira mais importante do Brasil entre os anos 30 e 60, traçando uma linhagem das boas editoras brasileiras. Algumas das mais tradicionais ainda estão em forma. É o caso da Martins Fontes, que, para a professora Maria Lúcia Dal Farra, "é uma daquelas editoras sérias que seguram o tranco sem aparecer muito, apesar de sempre ativas".

O próprio Schwarcz, ao criar a Companhia das Letras, vinha da experiência de trabalho na Editora Brasiliense, que marcou época entre o fim dos anos 70 e início dos 80 com uma linha de livros voltada para o público jovem. Schwarcz percebia a existência de um leitor em formação que a Brasiliense não tinha entre suas prioridades acompanhar e essa foi uma das percepções que o orientaram na nova editora. "Foi um pouco empírico", diz ele sobre seu projeto inicial. "Eu acreditava que havia a possibilidade de uma editora mais radical, em termos de proposta de qualidade, com um misto do que já havia no mercado" - isto é, a atualização gráfica de uma, a qualidade do catálogo de ciências humanas de outra, o modelo empresarial moderno de outra ainda.


A radicalidade veio da determinação em contrariar a regra amplamente aceita de que os títulos comerciais pagam os de prestígio. "A ideia era que a Companhia das Letras não precisaria de best sellers, mas também não se permitiria encalhes", conta Schwarcz. Segundo ele, a editora foi pega de surpresa quando alguns dos primeiros lançamentos entraram nas listas dos mais vendidos. O exemplo típico é o de "Rumo à Estação Finlândia", o relato da Revolução Russa escrito pelo crítico literário americano Edmund Wilson, livro que foi uma espécie de cartão de visita da Companhia ao entrar no mercado.

O clássico de Wilson marcou também uma das apostas iniciais de nicho da editora, a "não ficção narrativa", tradição intelectual anglo-saxã pouco explorada num ambiente cultural mais caracterizado pela tradição europeia. "O projeto inicial era definido como o de uma editora literária de ficção e não ficção. Com o tempo ele se ampliou, se abrindo para a literatura jovem e infantil. A primeira área separada foi a dos policiais e hoje chega até comida e aventura." A editora se tornou mais comercial? "Não mudou, na minha opinião. Nós publicamos Thomas Bernhard ["O Imitador De Vozes"] . Mantemos a aposta em autores brasileiros. Há um ou outro livro no limite do comercialismo, mas mesmo Stieg Larsson [trilogia "Millennium"] é um autor de qualidade no gênero policial."

Numa referência aos requisitos de qualidade de uma editora, um dos votantes, o professor Sergio de Sá, da Universidade de Brasília, citou o "cuidado no tratamento gráfico-editorial do produto, com uma identidade reconhecível à primeira folheada". Nos projetos tanto da Companhia das Letras quanto da Cosac Naify esse aspecto fez parte da própria criação da identidade da empresa. "Pretendi ter uma marca, com a escolha da tipologia, do papel e até da entrelinha", diz Schwarcz. "Dizem que Deus está nos detalhes. Nos livros isso é uma verdade absoluta." Na Cosac Naify, a marca existe, mas, paradoxalmente, sua característica principal é uma diversidade extremada.

A editora começou com a publicação, em 1997, de livros de artes visuais, algo incomum no Brasil, e mantém uma imagem diferenciada, para dizer o mínimo, entre as concorrentes. "As boas editoras cumprem a importante função de balancear o compreensível interesse comercial com ousadia, mas a Cosac parece ser só ousadia", comentou um dos votantes. Massi concorda em parte. "O nosso luxo é a ideia", afirma ele, relativizando a fama de que a editora produz livros caros, que seriam, portanto, vendidos a preços igualmente caros.

Um dos títulos mais vendidos da Cosac Naify, "Bartleby, o Escrivão", de Herman Melville, tinha uma concepção arrojada e barata, usando revestimento impermeável de carburador para a capa. Ganhou um prêmio de design e na época de lançamento, 2005, saiu com preço abaixo de R$ 30,00. Prêmio de design, por sinal, é o que não falta no currículo da editora, que já vendeu ilustrações feitas para seus livros a casas europeias.

"Nós introduzimos algo de novo no mercado, pensando para cada livro um conceito exclusivo", diz Massi. Ele já percebe a influência desse projeto em outras editoras. "Todo mundo mudou suas capas, fazendo escolhas que antes não faziam", observa. O esforço em estabelecer uma marca visual faz parte da intenção geral de "criar repertório" e "formar um leitor especial".

Para isso, a editora adotou o hábito de acompanhar os livros de autores ou artistas consagrados com prefácios, posfácios e quartas capas, encomendados a especialistas (muitas vezes inesperados, como o cientista social Paulo Sérgio Pinheiro para comentar "Ressurreição", de Liev Tolstói, que trata, em parte, do sistema prisional), índices onomásticos e sugestões de leitura. Trabalha-se com frequência com uma certa noção de parentesco entre os títulos publicados que criam um universo de relações para o leitor - obras dos mesmos autores, como William Faulkner, para o leitor adulto e para a criança, artistas que têm a obra enfocada num livro e criam a capa de outro, além de livros de referência que sistematizam as áreas temáticas cobertas pela editora.

Tudo isso já se encontrava, de alguma forma, no início da editora, que foi um pouco problemático. Ela foi criada em bases marcadamente idealistas pelo editor Charles Cosac, colecionador e crítico de artes plásticas, com uma proposta de intervenção num setor incipiente no Brasil. Mas já havia outras iniciativas em áreas que até hoje dão sustentação à editora, como a coleção de cinema a cargo do crítico Ismail Xavier, a reedição de autores brasileiros importantes, como João Antônio, e mesmo um início de produção no campo da literatura infantil, que depois seria um dos pontos fortes do catálogo e responsável pelo seu maior sucesso comercial - os livros do personagem Capitão Cueca, que atingiram uma tiragem de 70 mil exemplares.

Chegou-se, e já faz algum tempo, a um nível em que a editora toma cuidado para não crescer mais, pretendendo se manter numa escala "média" dentro do mercado. Segundo Massi, o risco seria perder o vagar necessário para a produção de um livro como o recém-lançado "Maria", volume exaustivo sobre a obra da escultora brasileira Maria Martins, que demandou dois anos para ser feito. O projeto revê praticamente a obra integral da artista. Todas as obras disponíveis ao público foram fotografadas especialmente para o livro por Vicente de Mello, mesmo aquelas que já contavam com registros de boa qualidade, como as expostas no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. Apesar da sofisticação e do impacto desse tipo de iniciativa, Massi aponta a delicadeza que caracteriza um esforço quase artesanal: "É um trabalho miúdo que pode se desfazer rapidamente".

Quando foi contratado pela Cosac Naify, dois anos e meio depois da fundação, a editora se encontrava deficitária, cercada de rumores de que iria fechar que persistiram durante um bom tempo. O começo da recuperação se deu com a criação da coleção "Prosa do Mundo", constituída de títulos de autores clássicos já passados para o domínio público, o que permitiu uma economia em direitos autorais, compensada por investimentos no tratamento propriamente editorial.

Assim, logo no lançamento da coleção, a editora conseguiu emplacar dois sucessos de venda com duas obras consideradas eruditas, "O Diabo e Outras Histórias", de Tolstói, e "Niels Lyhne", de Jens Peter Jacobsen, autor dinamarquês muito pouco conhecido. Com esses e outros bons resultados comerciais, foi possível manter a atividade "de ponta" da editora, presente em publicações como ensaios clássicos na área de ciências humanas e nos já tradicionais livros de arte, que hoje abrangem praticamente todas as áreas criativas, da arquitetura à moda.

A Companhia teve um início melhor porque surgiu no clima de entusiasmo do curto período de vigência do Plano Cruzado, um intervalo nos tempos de inflação desenfreada. Com o confisco do Plano Collor, no início de 1990, "80% do dinheiro sumiu", segundo Schwarcz. A primeira tentativa de contornar a situação comercialmente foi o lançamento de uma coleção de livros pequenos de análise conjuntural. Não deu certo. A editora estava com o primeiro volume da coleção "História da Vida Privada" pronto para rodar. "A gente não tinha como pagar a gráfica, mas a gráfica também não tinha serviço", lembra-se Schwarcz. Foi assim que a penúria criou a oportunidade para um estouro editorial, que popularizou no Brasil a escola da história das mentalidades. Schwarcz considera esse um dos pontos altos da editora, ao lado das biografias ("Chatô", "Anjo Pornográfico" etc.). Ele espera um impacto semelhante dos lançamentos do selo Penguin Companhia, resultante da associação da editora com a Penguin Classics.

Num país imenso, com poucas livrarias e hábitos de leitura ainda sendo criados, a distribuição é um dos grandes problemas do mercado editorial, embora a Companhia das Letras e a Cosac Naify considerem as dificuldades em boa parte superadas. A Companhia partiu para o sistema de consignação total, que hoje é prática comum. Foi o jeito, na época de inflação pesada, de lidar com uma situação em que havia boas vendas, mas a editora não formava caixa e ainda tinha de arcar com as devoluções. A Cosac investe num contato de divulgação direto com as livrarias individualmente e com seus vendedores, aproveitando a fase de sofisticação do setor. "Fala-se muito em livro eletrônico, mas as livrarias ainda têm uma vida longa e sólida pela frente", afirma Luiz Schwarcz.

Nem tudo é elogio para as vencedoras da enquete. Há quem considere a Companhia das Letras uma editora excessivamente paulista. "Talvez a presença física da sede da editora em São Paulo influa um pouco nas escolhas", afirma Schwarcz. Alguns dos votantes também criticram as duas editoras por não lançarem tantos autores brasileiros quanto seria desejável, comparando-as desfavoravelmente à editora Record nesse aspecto. Schwarcz responde: "A Companhia pode não ser a mais garimpeira de novos talentos, em parte porque não abandonamos nossos autores; somos bem exigentes e talvez seja um erro não investir em alguns talentos que ainda não estão prontos". Também a Cosac se considera um pouco devedora na publicação de autores brasileiros, embora Massi também afirme a fidelidade da editora a seus autores.

As duas editoras adotam uma mesma estrutura que se distancia da antiga tradição centrada na figura de um único editor - marca, por exemplo, da respeitada Perspectiva, "casa de poucos recursos, não comercial e civilizadora", nas palavras da professora Leda Tenório da Motta. A Companhia trabalha com o que Schwarcz chama de "máquina pesada" de editores juniores e seniores que, entre outras coisas, responde por repetidas leituras e revisões, participação em todas as etapas de produção, acompanhamento do autor e conhecimento do público-alvo. A Cosac Naify, que tem um editor para cada área temática e semanalmente realiza uma "reunião de conceito" com toda a equipe, está agora derrubando paredes de sua sede, em São Paulo, para intensificar a interação profissional.

O período que se aproxima é de exposição, com a participação das editoras na Flip e na Bienal. Entre outras, a Companhia das Letras levará para o debate com o público o polêmico Salman Rushdie. A Cosac trará tanto para a Flip quanto para a Bienal o biógrafo americano de Clarice Lispector, Benjamin Moser. A editora também dará atenção especial à área infanto-juvenil na Bienal. Um dos lançamentos será a estreia das historinhas do Snoopy na Cosac, com comentário de Umberto Eco. "Até nosso Snoopy é cabeça", brinca Cassiano.