13 de mar de 2010

Um VIVA! ao Glauco, mesmo que atrasado!

A sexta-feira começou estranha. E não demorou muito para eu descobrir que ela não estava estranha: estava triste! Foi logo cedo que o Brasil e o mundo receberam a notícia horrorosa da morte brutal e grotesca do cartunista Glauco Villas Boas e de seu filho, Raoni; ambos assassinados à queima-roupa, com quatro tiros casa, por um conhecido da família que sofria de dependência química (vejam cobertura completa em http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2010/glauco/).


            Cartoon do Geraldão, um dos principais personagens criados por Glauco.

E esses acontecimentos me fizeram pensar que o povo brasileiro tem uma maneira bem peculiar de manifestar sua indignação perante à violência absurda deste país. Eu mal havia chego ao trabalho, quando percebi que em meu Twitter, Facebook, MSN ou em qualquer outro site de relacionamentos, não se falava em outro assunto, a não ser a nítida (e bonita!) revolta coletiva causada pelo assassinato de Glauco e seu filho.
Foram inúmeras as manisfestações online, de internautas chocados e entristecidos com a morte de alguém que, não era exatamente uma estrela global, mas que faz parte da vida de todos nós, cidadãos brasileiros, há mais de 20 anos.
Talvez eu não tivesse tanta conciência da importância de um cartunista no meio editorial, se não tivesse escolhido viver nesse meio e trabalhar com isso. Mas as artes gráficas são auto-explicativas e essenciais para levar a mensagem exata, com a dose de humor necessária, por meio de traços característicos quase que impossíveis de serem plagiados. O traço é, sem dúvida, a impressão digital de um profissional desta área, que, para minha surpresa, mostrou não sofrer mais de preconceitos neste país de almas que hoje estão mais entristecidas. E, como afirmaram os amigos (também cartunistas reconhecidos) de Glauco, o traço dele não consegue ser imitado nem por ele mesmo. Sentiremos falta!!

** Dentre todas as manifestações que vi a respeito deste assunto, a que mais me emocionou foi a do jornal Folha de S. Paulo, onde o cartunista trabalhava por mais de duas décadas: na manhã de hoje, os espaços reservados aos quadrinhos estavam em branco, provando o vazio que o Brasil sentirá daqui em diante.

E para os fãs do Twitter, o Blog Universo HQ, que existe há mais de dez anos e é especializado em cartuns, dedicou-se, desde ontem, apenas em receber tweets com homenagens ao Glauco para postá-las no blog. Os organizadores afirmam que têm recebido tanta coisa, que não estão dando conta! Vale a pena dar uma olhada!! http://twitter.com/universohq


UM POUCO SOBRE GLAUCO

Foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba em 1977, em júri formado por Jaguar, Millôr Fernandes, Henfil e Angeli; e na 2ª Bienal de Humorismo y Gráfica de Cuba.
Em 1984, ao desenvolver sua "autobiografia com exageros", começou a publicar no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, convidado por Angeli, onde mostrou vários personagens, entre eles Geraldão, criado em 1981 após ler A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda.
Logo também vieram Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.
Fez parte do elenco de redatores da TV Pirata e de alguns quadros do programa infantil TV Colosso, ambos da Rede Globo, para a qual também desenvolveu vinhetas.
Editou a revista "Geraldão" pela Circo Editorial entre 1987 e 1989 e, nesse período, foi colaborador das revistas Chiclete com Banana e Circo.
Músico, também tocava em bandas de rock. Para o público infantil, leitor do suplemento semanal "Folhinha" criou o personagem Geraldinho, que é uma versão light (no traço e na temática) do seu personagem Geraldão.
Glauco era adepto do Santo Daime, e foi padrinho fundador da igreja animista Céu de Maria, que ficava em Osasco, SP.

Fonte: Wikipedia

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