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22 de nov. de 2010

PIRATARIA LITERÁRIA... HUNF!

Se a modernidade dos livros digitais é a pauta de discussão do momento, com especulações sobre um possível fim do impresso, acho melhor os editores, jornalistas, acadêmicos, leitores, autores e autoridades começarem a se preocupar com um problema muito maior e real, que já atinge o universo da música e do cinema: a PIRATARIA

Pois é! Na semana passada,  a polícia peruana apreendeu cerca de 1,3 mil cópias piratas de "O Sonho do Celta", último livro do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, Mario Vargas Llhosa. 

As cópias dos livros, que originalmente são editados pela espanhola Alfaguara, eram vendidos nas ruas de lima por cerca de US$ 8. A apreensão causou surpresa entre as autoridades, já que não é comum encontrar versões pirateadas de obras literárias. 

Outro país que também está em alerta é a Argentina, que têm falsificações literárias cada vez mais sofisticadas. Essa situação preocupa muito a indústria de livros do país. "É um fenômeno que está crescendo. Talvez não seja tão visível como é no Peru, onde a economia informal é intensa. Mas a pirataria de livros está crescendo na Argentina e também no Chile", disse à BBC Brasil o porta-voz da editora Santillana, Augusto di Marco.

Segundo ele, os falsificadores estariam explorando brechas nas leis argentinas e chilenas – mais duras com a pirataria do que as de outros países sulamericanos – para ampliar seus negócios.
Especula-se no setor editorial que esta produção regional poderia chegar a 10% ou 15% do volume da indústria de livros.

Livros falsificados de boa qualidade enganam leitores na Argentina


Qualidade
Os livros falsificados são vendidos no varejo até 50% mais baratos do que cópias oficiais, segundo cálculos da Câmara Argentina do Livro, e o leitor não sabe, muitas vezes, que está comprando um produto ilegal. "Quando você compra um DVD na rua sabe que está comprando algo pirata. Mas isso não acontece com o livro. Nós percebemos quando ele é falso, mas o leitor talvez não", afirmou Di Marco. 
A produção marginal não se limita a fotocópias, mas a impressão quase idêntica das obras.
Os detalhes da falsificação são quase imperceptíveis, como a qualidade do papel e páginas que foram coladas em vez de costuradas, por exemplo. Por isso, editores acreditam que exista uma "indústria" que vem se aperfeiçoando nesta produção e encontrando mercado fértil entre os leitores.
"Não acredito que a leitura esteja aumentando e que esta seja a razão do incremento da pirataria. Mas aqui na Argentina o nível de leitura é alto, e a classe média costuma ler bastante. Na prática, existe um mercado (paralelo) possível", afirmou.
Pelo nível da qualidade da produção, a polícia argentina acredita que poderia ser uma ação de especialistas. "É preciso conhecer este processo industrial. E não é qualquer um que consegue comprar papel", completa Di Marco.

Apreensão
Especialistas dizem que Buenos Aires, a capital do país, mantém a tradição da leitura e possui um dos maiores índices de livrarias per capita da América do Sul. Ao mesmo tempo, a produção de livros vem crescendo, mesmo na era da internet, de acordo com dados da Câmara do Livro.
Segundo a polícia argentina e a Câmara, os exemplares mais copiados são Best Sellers ou livros com público alvo certo.
No fim de semana, a polícia argentina (Gendarmeria) fez a maior apreensão de livros ilegais até hoje no país ao descobrir um depósito, em Buenos Aires, com 130 mil livros falsos, cotados em cerca de 11 milhões de pesos (cerca de R$ 5 milhões).
Os livros eram de autores como o colombiano Gabriel García Márquez e o argentino Julio Cortazar, incluindo ainda Minha Luta, de Adollf Hitler, e o modelo, preparado para a impressão, de Mafalda, do cartunista argentino Quino.
As investigações do caso vão continuar, já que ainda não foi localizada a gráfica onde estes livros foram feitos.
No ano passado, após denúncia da Câmara Chilena do Livro, a polícia do país apreendeu 2 mil livros prontos para serem distribuídos no mercado e 30 mil preparados para serem impressos numa gráfica clandestina de Santiago.
Eram exemplares de livros de Isabel Allende e de Jorge Edwards, entre outros mais vendidos no país e no exterior.

11 de out. de 2010

E o Nobel foi para....

Eu sei que o post está levemente atrasado e peço desculpas por isso. Mas nem que se passassem anos e anos, eu deixaria de escrever sobre o Prêmio Nobel de Literatura.


Eu confesso a vocês que - ainda - nunca li nenhuma obra de MARIO VARGAS LLOSA, vencedor do Nobel de Literatura 2010. Mas eu tenho certeza de que, amante da literatura latinoamericana que sou, vou me apaixonar facilmente por este escritor peruano, que se consagrou por romances marcados por questões políticas da América Latina - e não raro autobiográficas -, como "A cidade e os cachorros", "Pantaleão e as visitadoras", "A festa do bode" e "Travessuras da menina má", Llosa já havia vencido, entre outros, o Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em língua espanhola, em 1994. O Brasil costuma ser tema de seus textos, sejam ensaios políticos ou romances, como em "A guerra do fim do mundo", de 1981, inspirado na Guerra de Canudos.

 De acordo com a Academia Sueca, a escolha seu deu por conta da "cartografia das estruturas do poder e afiadas imagens de resistência, rebelião e derrota do indivíduo" que aparecem na obra de Llosa. Em matéria publicada no Portal G1, Peter Englund, presidente do júri de literatura do Nobel, afirmou que Vargas Llosa se disse "muito comovido e entusiasmado" ao saber do prêmio. O escritor, que está em Nova York, onde é professor visitante na Universidade de Princeton, contou a Englund que "tinha levantado às cinco da manhã para dar uma aula" e que quando recebeu a notícia já "trabalhava intensamente". Llosa receberá um prêmio no valor de 10 milhões de coroas suecas (1,5 milhão de dólares). A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de dezembro.

Em mais de um século de existência do prêmio, Mario Vargas Llosa é apenas o sexto escritor latino-americano a receber um Nobel. Antes dele, foram premiados a escritora chilena Gabriela Mistral (1945), o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1967), o também chileno Pablo Neruda (1971), o colombiano Gabriel García Márquez (1982) e o mexicano Octavio Paz (1990).

O autor estará no Brasil na próxima quinta-feira (14), participando do evento Fronteiras do Pensamento, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.


"A liberdade e a democracia são o verdadeiro caminho do progresso, 
que acredito que seja o papel de um escritor defender"


 Um pouco sobre a vida de LLOSA



Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa se formou em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima, Peru. Antes de tornar-se escritor, trabalhou como redator de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo biografia em seu site oficial.
Em 1959, ganhou uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa, onde se tornou doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Madri, publicou seu primeiro livro, a coletânea de contos "Os chefes" (1959), e escreveu uma peça de teatro, "La huída del Inca".
No mesmo ano, Llosa casou-se com a sua tia, Julia Urquidi, que era 15 anos mais velha. A experiência inspirou o livro "Tia Julia e o escrevinhador", que seria lançado em 1977. O casamento durou cinco anos e, depois do seu fracasso, casou-se com uma prima, Patricia.
Regressou em 1964 ao Peru e daí em diante voltaria a passar temporadas em diversos países, incluindo Cuba, Grécia, França, Inglaterra e Espanha - de onde recebeu oficialmente a cidadania em 1993.
Conhecido por suas posições políticas consideradas de direita, Llosa se engajou no Movimento Liberdade peruano em 1987, que se opunha ao programa de estatização do então presidente Alan García Pérez.
Informado sobre a vitória no Nobel de seu antigo desafeto, García - que voltou à Presidência do Peru em 2006 - afirmou que o prêmio é "uma honra e um grande dia para o Peru". "Vargas Llosa é um extraordinário criador da linguagem, um grande romancista, um grande dramaturgo que tem incursionado em todos os cantos da criação", completou.
Além dos políticos do Peru, o escritor costuma disparar críticas contra líderes latino-americanos como Fidel Castro - de quem já foi próximo -, Hugo Chávez, Álvaro Uribe e Lula.