10 de nov de 2011

25 anos de Companhia das Letras: uma comemoração para quem foi, é e sempre será

Sabe aqueles reencontros de colégio, onde aparecem aquelas pessoas que você nem se lembrava que existiam, mas que ajudaram a construir sua história? Ou, então, aquelas reuniões de Natal, em que os parentes e amigos mais distantes marcam presença? Pois era exatamente esse o clima do coquetel de comemoração dos 25 anos da Companhia das Letras, que aconteceu ontem, 09/11/11, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. 

O evento foi último de uma série de comemorações que aconteceram durante este ano. Vale dizer que achei bastante significativa essa decisão da editora de, ao invés de fazer uma grande festa para poucos; convidou o Brasil inteiro, em diversas oportunidades, a comemorarem com eles. E para quem não acompanhou o ano das comemorações, sugiro dar uma passadinha no Blog da Companhia das Letras, que ilustrou tudinho pra gente (todasagradece a Diana Passy por cuidar tão bem do Blog)! 

Mas voltemos à noite de ontem. Bela noite, diga-se de passagem. Lua cheia, calor de primavera, trânsito paulistano favorável. Noite perfeita para muita champagne e um pouco (ou o máximo possível) de Amós Oz



Luiz Schwarcz fez as honras da casa e iniciou a cerimônia, no Teatro Paulo Autran, com agradecimentos aos companheiros de trabalho, aos filhos Júlia e Pedro (ambos trabalham na editora), às netas, aos pais, aos amigos próximos, aos sócios, a todos os presentes e, em especial, a sua esposa, Lilia Moritz Schwarcz, numa das mais lindas declarações de amor que já ouvi: "Lilia editou o meu coração!" 

(Pausa para a dica: Atenção homens! Está decidido: eu só vou amar de verdade quem editar o meu coração! #ficaadica). 

De tudo o que Luiz disse (além da linda declaração pública descrita acima), e num momento de brincadeira, sugeriu que todos os colaboradores da Companhia deveriam ser chamados de editores: o editor de vendas, o editor de divulgação, o editor de revisão... Afinal, todos lêem e amam os livros. Pensei neste instante no meu dia a dia de trabalho. Acho que, dificilmente, eu vá concordar tanto com uma sugestão, mesmo que hipotética, quanto concordei com esta. Ele afirmou, ainda, que "fazendo livros acabei fazendo amigos"; e que é papel do editor (profissional) e da editora (instituição) usar, mostrar, respeitar e espalhar a palavra dos autores.  Para finalizar seu discurso, fez a leitura de um belíssimo prefácio inédito da edição comemorativa de 40 anos, ainda não publicada, de "Meu Michel", de Amós Oz, o autor convidado de noite que segundo Luiz, "foi o autor escolhido para representar todos os outros autores".

Quando Amós entrou em cena, percebi que eu tinha uma ideia muito diferente dele, não sei exatamente o porquê. E, ao longo da conferência, senti-me emocionada e agradecida pela oportunidade daquele momento único. E mágico.  Confesso que tenho vergonha de assumir o quão surpresa fiquei com a palestra de Amós. Sim, porque não deveria esperar nada menos de alguém que escreve romances como ele, não é mesmo?



Vou contar um segredo. Eu tenho uma teoria: todas as pessoas no mundo deveriam poder conhecer Paris. Não que seja minha cidade preferida, porque não é. Mas porque é uma cidade especial e encantadora e de importância histórica e que, de alguma maneira, nos faz mais humanos. Pois ao sair da palestra de Amós, eu acrescentei um item à minha teoria: todas as pessoas no mundo deveriam poder conhecer Paris e assistir uma conferência de Amós Oz. Foi uma experiência que mudou minha vida. E tenho certeza de que a literatura dele mudará a sua. Portanto, leiam Amós Oz. 

"Tudo o que nasce de um sonho, acaba tornando-se uma decepção." (Amós Oz)

Após a conferência, foram distribuídas 100 senhas para autógrafos (só para quem tinha o livro) e teve um coquetel de recepção aos convidados e aos não-convidados. Isso mesmo: quem estivesse por ali era muito bem-vindo a brindar os 25 anos da Companhia das Letras. 




Confesso que não resisti a tietagem quando encontrei com Fernando Morais e disse, num sussurro quase tímido:

- Estou apaixonada pelo seu livro! - Referindo-me ao Os últimos soldados da Guerra Fria, leitura altamente recomendável. E, em resposta, obtive um grito entusiasta que jogou minha timidez para beeem longe:

- Ahhhh! Jura?? Fico feliz! Conte para todos os seus amigos, então!

E lá ficamos, eu e Fernando Morais, conversando sobre os personagens malucos e reais dessa não-ficção mais ficção que já li em toda minha vida! 
A noite de ontem reuniu grandes nomes do mundo editorial. Grandes editores, tradutores, ilustradores, revisores, livreiros, autores e muito mais. Mas para quem estava lá, era uma noite de reunir os amigos, de reviver os velhos tempos, de lembrar histórias, e de brindar à felicidade e ao sucesso de todos, os que foram, os que são e os que sempre serão parte da história da Companhia das Letras.

Parabéns! 

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PS: Vocês devem estar se perguntando como é que euzinha aqui fui parar nessa história, né? Pois caso não se lembrem, meu pai trabalhou na Companhia das Letras há muitos anos e recebemos o convite em casa para participar do evento (obrigada, papi, seulindo!). O que me faz lembrar de elogiar, mais uma vez, a Companhia, por ter tido a delicadeza de não esquecer de nós. E vale dizer que já contei AQUI que foi exatamente isso que me influenciou a trabalhar com livros hoje. Por isso o carinho tão especial com esta editora.

PS2: Na pressa de sair de casa ontem, procurei rapidamente por algum bloco de anotações que coubesse na minha pequena bolsa. Mas só durante o evento, percebi que o tal bloco era um brinde da própria Companhia, da época do lançamento de "O homem que matou Getúlio Vargas", best-seller de Jô Soares (que aliás, acabou de lançar "As esganadas", que também já está na lista dos mais vendidos). Coincidência? Bom, espero que seja. Afinal, todos sabem o quanto Luiz Schwarcz gosta de uma boa coincidência! 



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