15 de ago de 2012

[Dica de outras boas leituras] Jamais leve um livro ao estádio de futebol

A dica desse post veio de um novo amigo, mas assíduo seguidor do blog. Corinthiano roxo (pleonasmo?) e skatista por paixão, o amigo jornalista Edgar Marcel lembrou do blog quando leu esse post.

Achei bastante pertinente, pois seria minha cara levar livros ao estádio de futebol. Lembro que há alguns anos eu costumava assistir competições de atletismo no Ginásio do Ibirapuera e, com todo respeito aos atletas, achava um tanto quanto tedioso ficar lá horas e mais horas. Pois adivinhem só quem tinha um livro salvador na mochila? Rs! Quem olhasse para a arquibancada, veria euzinha lá, toda protegida do frio evento, sempre acompanhada de um bom livro. 

Mas, vivendo e aprendendo. E, de acordo com o post Jamais leve um livro ao estádio de futebol, de Fred Fagundes, do blog Papo de Homem, é proibido levar livros ao estádio por ser um material inflamável. Mas gente?!?

Pois é, Brasil... leiam abaixo e fiquem tão indignados quanto eu!

Parabéns pelo post, Fred Fernandes

--

Jamais leve um livro ao estádio de futebol


Domingo, Dia dos Pais e 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. São Paulo e Grêmio no estádio Cícero Pompeu de Toledo, o popular Morumbi.
Fui.
Mas fui cedo. Afinal, o jogo era na casa do adversário. Para evitar trânsito ou qualquer problema com a torcida rival, cheguei ao estádio por volta de 14h, bem antes do horário marcado para o início da rodada: 16h.
Além da camisa do Grêmio por baixo do moletom preto que me fez passar despercebido entre dois grupos de pelo menos 300 torcedores do São Paulo, uma réplica do uniforme de 1995 com o número 7 do Paulo Nunes nas costas, levei um livro de bolso:  “El fútbol a sol y sombra”, de Eduardo Galeano. Uma excelente coletânea de crônicas sobre o futebol arte na visão de um uruguaio. Um verdadeiro assassinato da lógica, mas brilhantemente provocativo e coeso.
A ideia é fazer o tempo passar, já que eu havia ido ao jogo sozinho e tinha pelo menos duas horas de hiato e procrastinação até o apito inicial. Uma boa ideia, aparentemente. Mas uma boa ideia que encontrou um sério problema para ser executada: a lei.
—  É proibido entrar ao estádio com material  inflamável. — disse o policial que me revistou na entrada do Portal 15.
— Ok. — resmunguei, sem prever qualquer problema.
— O livro. Não pode entrar com livro. O livro é inflamável. —, argumentou o oficial.
Eu não sou de discutir. Muito menos com a polícia. Mas a curiosidade foi maior.
— Como assim? —, questionei.
— O papel. Você pode por fogo no papel, é inflamável.
— Dinheiro também é papel.
— Mas você não bota fogo no dinheiro.
— Nem ponho fogo em livros.
— Por fogo em dinheiro é crime.
— Por fogo em livros também é crime. Ou até algo pior.
Nesse momento o oficial chamou um superior. A instrução foi a mesma: eu deveria seguir as ordens do policial da revista, pois a proibição estava no Estatuto do Torcedor. O livro teria que ficar de fora. Onde?
— Sei lá, se vira. — foi a resposta.
— Tenta deixar atrás daquela moita. — sugeriu um funcionário do estádio que acompanhava o papo de longe.


Não tenho problemas com o Estatuto do Torcedor. Admiro os benefícios que a lei sancionada pelo presidente Lula trouxe ao futebol brasileiro. É muito melhor ir ao estádio de futebol do hoje que há 15 anos, quando era praticamente impossível cogitar esse programa na companhia de namorada ou crianças. Os clubes souberem utilizar as adaptações obrigatórias a favor do torcedor, atraindo um público novo e que consome.
Contudo, a falta – ou excesso – de critério comprovam as recorrentes falhas na execução da lei. Em alguns estádios, como no próprio Olímpico (Porto Alegre/RS), é entregue um Guia da Partida antes do jogo. Em papel, aquele mesmo material utilizado na produção de livros e inflamável. As pessoas chegam mais cedo, entram no estádio, pegam o guia e curtem a leitura antes do jogo. Essa singela tolerância é uma atitude que evita a tradicional muvuca nas catracas. Ninguém deixa pra chegar em cima da hora, pois há o que fazer antes.
Aparentemente falta instrução nos estádios de São Paulo. Não é um livro de bolso que vai causar um incêndio ou tragédia. Mas sim, a maneira arcaica e primitiva como os torcedores ainda são tratados.
Não consegui dobrar o policial. Dei a obra para um guri que catava latinhas na entrada do estádio.
Perdi o livro. Mas ganhei três pontos.

Fred Fagundes é editor do Papo de Homem, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Quem Matou a Tangerina?". Twitter: @fagundes.



5 comentários :

  1. Na certa, num futuro próximo, o torcedor terá de ser careca, pois cabelo pega fogo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahaha! pois é! Nossa legislação sempre nos assustando! rs

      Excluir
  2. Olá Talita!

    Belo blog, parabéns, principalmente pelas dicas de empregos na área editorial.
    Com relação à postagem, eu já sabia dessa "lei", pois uma vez fui direto da igreja para o Pacaembu assistir um jogo do Corinthians e não me deixaram entrar com a Bíblia. O policial me falou que caso eu ficasse nervoso e a jogasse na cabeça de alguém poderia matar...rsr, faz parte.

    Um abraço,

    Wellington Ferreira, O Vendedor de Livros

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Wellington!
      Sério mesmo?
      Não acredito! hahaha! Bom, vivendo e aprendendo, ne? rs!
      Obrigada! Espero q continue acompanhando blog!
      Beijos

      Excluir
  3. Bem controversa essa lei, esse ano estive no Beira Rio e as recomendações do site falam que é proibido entrar com diversos materiais inclusive o livro, mas eles (S. C. Internacional) distribuem jornais na entrada o.O

    ResponderExcluir