13 de ago de 2012

[Bienal] Algumas observações

A 22a. Bienal Internacional do Livro de São Paulo começou na última quinta-feira, 9 de agosto, e vai até o próximo domingo, 19 de agosto. 

Eu já estive por lá três vezes e considero o suficiente para poder fazer um balanço do que temos no maior evento literário da América Latina. E, caros leitores, sinto decepcionar-lhes, mas não temos nada.  



Nada de novo, pelo menos. Os mesmos stands, as mesmas editoras, as mesmas atrações... 
A crítica vai para o mercado editorial como um todo: caros, vocês têm dois anos para se preparar. Custa muito serem um pouco mais criativos? Não tem interatividade, não tem diversão. A feira está puramente de negócios e comercial. Vendem-se livros, mas não se formam novos leitores. 
As editoras e livreiros não pensam nos leitores e não têm mais o carinho especial em cuidar da Bienal. É um descaso que incomoda. 

Pontos altos: 

- Vá à Bienal de metrô. Fiz o teste hoje! Da Av. Paulista à porta do Anhembi, demorei 20 minutos. E ao descer na estação Tietê, fui surpreendida pela organização e sinalização. Em poucos minutos já estava dentro do ônibus - gratuito - e a caminho da Bienal. 

- Palestras. Uma pena que eu não possa aproveitar mais esse lado do evento. A programação (muito embora tenha algumas piadas prontas, que é melhor nem comentar) está excelente e dá para aproveitar muito! Vale a pena! 

Pontos baixos: 

- Banheiros. Alô, São Paulo! Não dá para aceitar a imundice dos banheiros femininos, que além de nojentos são sempre abarrotados e com filas. Até quando, hein? 

- Preços. R$ 12,00 a entrada inteira e R$ 30,00 de estacionamento é um assalto. Um evento como a Bienal do Livro deveria ser mais acessível ao grande público. Nesse item incluo o preço das comidas também. Tudo muito caro!!

- A falta de um espaço para descanso ou, até mesmo, para relaxar e ler. Se achar um lugar na praça de alimentação, corra e guarde-o com muito amor, porque é o único que você vai encontrar para descansar os pezinhos. 

- O stand da Editora Madras e suas modelos incrivelmente bonitas e saradas, semi-nuas. Eu ia fotografar, mas poupei as meninas de mais essa humilhação. Alô CBL! Precisa mesmo da exploração ao corpo feminino para vender livros? É isso mesmo? Vocês já imaginaram se a moda pega? Longe de mim ser puritana. Mas cada coisa no seu lugar. E Bienal do Livro não é espaço para esse tipo de abordagem, de conotação de apelo sexual. Lembrando que há um grande número de crianças que visitam o local, né? Achei vergonha alheia total e fiquei muito satisfeita ao saber que elas não estão mais lá, desfilando de mini-shorts e micro-top.

- Como bem lembrou a amiga Gabi Ghetti, os promotores que vendem assinaturas de revistas estão assustadores este ano. Inclusive rola uma perseguiçãozinha pelos corredores. Tenho medo disso! 

Serviço
22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Período: de 09 a 19 de agosto de 2012, das 10h às 22h
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209, São Paulo, SP

10 comentários :

  1. Infelizmente... tenho que concordar com tudo o que tem dito. Fui em apenas um dia e tenho certeza de que se não fosse pelas palestras que eu fui (exclusivamente) para ver, teria ficado entediada.
    Me programei para ir em mais três dias, apenas por causa das palestras novamente, que ao meu ver, é o que vale a pena.

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    1. É uma tristeza, né Elis? Principalmente para quem curte LIVRO. É uma decepção!

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  2. Nossa, muito triste essa situação, principalmente com referência aos preços! =(

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    1. Pois é, Thales... dá um desânimo com o Brasil que nem dá pra explicar... :(

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  3. Apenas queria dizer que: o problema do banheiro feminino é a própria mulher. Nunca vi fila de banheiro feminino andar rápido como anda a do masculino hahahahaha (tem que ter limpeza e organização, claro, mas isso tem que vir também das próprias usuárias...)

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    1. Concordo, Taize. Mas o nível de sujeira no banheiro claramente mostra o descuido com a limpeza.
      Isso desanima!
      Mas vc tem toda razão: mulherada, que tal sermos mais cuidadosas com a limpeza?

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  4. Pois é Talita,
    Também fui e concordo com tudo que você apontou. Como Pedagoga, fiquei incomodada ao ver o desconforto de certos pais que, com toda boa vontade, sentavam-se no chão pra contar histórias aos filhos, em pleno corredor! Não há nem banquinho prá descansar ou esperar alguém. E olha o tamanho do Anhembi... haja pés!!!
    Também acho que os responsáveis deveriam pedir aos expositores que pensassem melhor nas ações de promoção dos estandes. Além desse absurdo das garotas, também há o burburinho entupindo os corredores cada vez que alguém resolve fazer uma apresentação, ou autógrafos de famosos. O caso é que se há alguma emergência, haverá dificuldade para se para escoar o público, principalmente nos dias de maior movimento, caso de sábados e domingos.
    Quanto ao banheiro... nem passo perto e rezo para que não me aconteça nenhuma emergência. E Taiza, as mulheres demoram sim, mas melhor que ir rápido ao banheiro e nem lavar as mãos como a maioria dos homens faz, irc... E aliás, nem dá prá passar em frente de tão fedido.
    Temos que melhorar muito ainda!

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    1. Pois é! Se uma criança quer que o pai leia o livro pra ela, #comofaz, hein? Sentam no chão do Anhembi? Temos muito oq melhorar mesmo!!!

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  5. É bom ver uma profissional falando o que realmente acontece na Bienal de SP, porque as poucas reportagens que passam na TV não são muito completas...

    O pior foi que enquanto eu tava lendo, fiquei com uma vergonha grande pela Bahia. A Bienal daqui... Eu até fico triste quando penso. Não dá nem ânimo de ir. Por aí pelo menos há ótimas palestras e muitos stands de editoras. Eu queria que tivéssemos a metade dessa sorte.

    Até mais!

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    1. Temos que cobrar mais atitude das organizações! Pq gente, se não corrermos atrás, ficaremos para trás!

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