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9 de nov. de 2012

[Nelson Rodrigues] Sesi-SP apresenta exposição sobre o centenário de Nelson Rodrigues

O Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) apresenta, de 11 de outubro a 16 de dezembro, a exposição Nelson Rodrigues 100 anos sobre a obra do escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso. Com curadoria de Ruy Castro, a mostra está instalada em 140 m², a caminho do foyer do Teatro do Sesi São Paulo, e revela as várias faces desse homem que deixou marcas no teatro, jornal, cinema, televisão e futebol. A iniciativa é mais uma homenagem do Sesi-SP ao centenário de nascimento do dramaturgo.
Materiais raros como as primeiras edições de seus livros, filme em cores sobre seu cotidiano, fotos reveladoras, o áudio de contos de “A Vida como Ela É…” com o elenco da Rádio Nacional, as frases famosas de Nelson, entre outras instalações, estarão expostos até 16 de dezembro. A entrada é gratuita.


Sobre o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos Sesi-SP
O projeto do Sesi-SP em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues inclui espetáculos, leituras dramáticas, exposição, debates e oficinas. Os destaques do projeto, que tem curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana, são a abrangência da programação, a participação de personalidades (entre as quais muitas pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.
Para mais informações, clique aqui.
Sobre Ruy Castro
Ruy Castro é escritor e jornalista. Começou como repórter em 1967 e trabalhou nos principais veículos da imprensa carioca e paulistana. Atualmente, é colunista da Folha de S. Paulo. Como escritor, desde 1990, notabilizou-se pelas biografias de figuras importantes da cultura brasileira, como Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues – sobre quem escreveu o livro O Anjo Pornográfico, lançado em 1992 e hoje na 26ª reimpressão.
Clique aqui e leia uma entrevista exclusiva com Ruy Castro
ServiçoExposição Nelson Rodrigues 100 anosLocal: Térreo Inferior do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Período expositivo: de 11 de outubro a 16 de dezembro de 2012
Datas e horários: todos os dias, das 11h às 21h, com entrada até 20 minutos antes do fechamento.
Agendamentos escolares e de grupos: de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396
Classificação indicativa: livre

Para conferir detalhes sobre a exposição, clique aqui.



1 de ago. de 2012

[Nelson Rodrigues] Norma Blum interpreta "O beijo no asfalto" hoje, no Teatro do Sesi-SP, com entrada gratuita

A atriz Norma Blum, que teve papel central na primeira adaptação cinematográfica do texto rodriguiano O beijo no asfalto, na década de 60, revive o enredo teatral nesta quarta-feira (01/08), no Teatro do Sesi São Paulo, às 20h30, durante uma leitura dramática. O evento com entrada gratuita é parte da programação do projeto Nelson Rodrigues 100 anos – uma homenagem do Sesi-SP ao centenário de nascimento do dramaturgo.
Em O beijo no asfalto, Nelson inspirou-se nas cenas de seu cotidiano ao narrar a morte de um conhecido por atropelamento. Na trama, o sujeito, caído no meio da rua, pede um beijo a quem ao acaso o socorria, antes de morrer. Na peça esse gesto de humanidade é devassado e retorcido pela atitude vil das pessoas, exceto pela viúva, que o defendeu até depois da morte.
Sobre o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos Sesi-SP

O projeto do Sesi-SP em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues inclui espetáculos, leituras dramáticas, exposições, debates e oficinas. Os destaques do projeto, que tem curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana, são a abrangência da programação, a participação de personalidades (inclusive de pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.
Até novembro, nomes como Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis, Nathália Timberg, Christiane Torloni, Nelson Rodrigues (filho), Norma Blum, Daniel Filho e Nelson Pereira dos Santos farão parte da homenagem.
Para mais informações, acesse o site oficial do projeto.
Serviço 
O beijo no asfalto
Data/horário: 1º de agosto de 2012, às 20h30
Local: Teatro do Sesi São Paulo – Av. Paulista, 1313, capital 
Assessoria de imprensa SESI-SP e SENAI-SP 
www.sesisp.org.br e www.sp.senai.br
Jornalistas: Rosângela Gallardo e Danusa Etcheverria
 
Apoio de atendimento: Karina Silva
 
Tel.: (11) 3146-7703/ 7702/ 7706
E-mail: 
imprensa@sesisenaisp.org.br

25 de jul. de 2012

[Nelson Rodrigues] A vida como ela é...

Contei há alguns dias aqui que minha relação com Nelson Rodrigues se fortaleceu muito durante meu Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Jornalismo da PUC-SP.

Nelson Rodrigues virou um vício: lia durante o dia, na hora do almoço, antes de dormir, madrugada a dentro... Quando você começa a ler, é impossível parar.

Minha coleção de livros de Nelson Rodrigues

Dentre todos - e olha que são muitos! - os livros do autor, nenhum outro roubou meu coração como A vida como ela é..., os pequenos contos do dia a dia do subúrbio do Rio de Janeiro, que esfrega a realidade das mentiras e hipocrisia da sociedade na nossa cara.

É uma obra atemporal e ainda presente em nossas vidas: amor, sexo, casamento, amizades, traição, suspeitas, desconfiança, certezas, morte, assassinato, dor, paixão...: tudo junto e misturado.

Recomendo a leitura e, também, para quem ficar curioso, vale dar uma xeretada no youtube e assistir os episódios selecionados, dirigidos por Daniel Filho, e que viraram série no Fantástico. O DVD está à venda e é entretenimento cultural garantido, mas pesado.


Minha recomendação é que para ler ou assistir A vida como ela é... tirem as crianças da sala!



Sobre A vida como ela é...






Durante dez anos, de 1951 a 1961, Nel­son Rodrigues escreveu sua coluna A vida como ela é... para o jornal Última Hora, de Samuel Wainer. Seis dias por sema­na, chovesse ou fizesse sol. A chuva podia ser como a do quinto ato do Rigoletto e o sol, daqueles de derreter catedrais, se­gundo ele. 

Todo dia, com uma paciência chinesa e uma imaginação demoníaca, Nelson escrevia uma história diferente. E quase sempre sobre o mesmo assunto: adultério. Desse tema tão simples e tão eterno, ele extraiu quase 2 mil histórias. Os ficcionistas que fingem se levar a sé­rio precisam de toda uma aura de misté­rio para criar. Nelson dispensava esse mis­tério. Chegava cedinho à redação, acendia um cigarro e, na frente dos colegas, entre miríades de cafezinhos, escrevia A vida como ela é... As histórias saíam de casos que lhe contavam, da sua própria obser­vação dos subúrbios cariocas ou das cabe­ludas paixões de que ele ouvira falar em criança. Mas principalmente da sua me­ditação sobre o casamento, o amor e o desejo. 

O cenário dos contos de A vida como ela é... é o Rio de Janeiro dos anos 50. Uma cidade em que casanovas de plantão e mulheres fabulosas flertavam nos ônibus e bondes; em que poucos tinham carro, mas esse era um Buick ou um Cadillac; em que os vizinhos vigiavam-se uns aos ou­tros; e em que maridos e mulheres viviam sob o mesmo teto com as primas e os cunhados, numa latente volúpia incestuo­sa. 

Uma cidade em que, como não havia motéis, os encontros amorosos se davam em apartamentos emprestados por amigos — donde o pecado, de tão complicado, tor­nava-se uma obsessão. E uma época em que a vida sexual, para se realizar, exigia o vestido de noiva, a noite de núpcias, a lua-de-mel. E em que o casal típico — e, de certa forma, perfeito — compunha-se do marido, da mulher e do amante.

28 de jun. de 2012

[Nelson Rodrigues] Homenagens aos 100 anos de Nelson Rodrigues

Este ano comemora-se os 110 anos do nascimento de Nelson Rodrigues. E homenagens ao "anjo pornográfico" não faltam!


Veja abaixo um roteiro com o que está rolando na capital paulista e agende sua programação!


HOMENAGENS AOS 100 ANOS DE NELSON RODRIGUES EM SÃO PAULO


Na 13ª edição da série Ocupação, realizada pela instituição, o homenageado da vez é Nelson Rodrigues, considerado um dos grandes mestres da literatura brasileira. A mostra apresenta um rico acervo com jornais, pôsteres, revistas, entrevistas sonoras, visuais e impressas, além de fotos.
Tipo de espaço: Espaços Culturais
Itaú Cultural Piso Paulista
Av. Paulista, 149 - Bela Vista - Centro. Telefone: 2168-1776.
Tem ar-condicionado. Grátis. Tem acesso para deficiente. Proibido fumar. Não tem local para comer. Estac. c/ manob. (R$ 10 a 1ª h - convênio).
Quando
Terça a sexta: 9h às 20h / Sábado e domingo: 11h às 20h
Abertura: 21/06


Em cartaz:


Com elenco formado também por atores cegos e encenada no escuro, a peça é baseada no conto "O Grande Viúvo", de Nelson Rodrigues, e trata de um viúvo que, após ter perdido sua amada, comunica à família que também quer morrer e ser enterrado junto à falecida.
29/6
Marco Ricca interpreta o personagem-título, bicheiro temido e respeitado na comunidade onde vive que manda arrancar todos os dentes, substituindo-os por uma dentadura de ouro. Prepotente e cruel, ele também cultiva o sonho de ser enterrado num caixão de ouro só para recompensar o trauma de ter nascido numa gafieira. A direção é de Marco Antônio Braz.
30/6
A montagem dirigida por Nelson Baskerville tem duas sessões especiais no Itaú Cultural. O espetáculo é uma reunião de trechos das 17 peças escritas por Nelson Rodrigues.
Globe-SP
 
O teatro recebe duas montagens rodriguianas. No dia 30/6, estreia "Bonitinha, mas Ordinária" com o grupo Disprega. No dia 13/7, é a vez de "Os Sete Gatinhos", com direção de Miguel Hernandez.
6/7
Marco Antônio Braz também dirige a montagem, protagonizada por Maria Luisa Mendonça --a partir de 8 de setembro, ela será substituída por Lucélia Santos. A trama é centrada em Zumira, mulher que, sabendo da morte próxima, busca uma maneira de conseguir pagar por um bom enterro.
A comédia dirigida por Luís Artur Nunes reúne contos -- "O Pediatra", "Romântica", "As Gêmeas", "A Esbofeteada", "Despeito", "Noiva da Morte", "Flor de Laranjeira" e "Selvageria"-- de "A Vida como Ela É", coluna que Nelson Rodrigues mantinha no jornal "Última Hora".
28/7
Doroteia
 
Alinne Moraes protagoniza a montagem carioca, dirigida por João Fonseca. A trama fantasiosa retrata uma linda moça que é repudiada pelas mulheres da família devido à sua beleza. Gilberto Gawronski, Alexandre Pinheiro, Keli Freitas, Marcus Majella e Paulo Verlings completam o elenco.
AGOSTO
Grupo Gattu 

A companhia paulistana, que coleciona em seu repertório diversas montagens de textos rodriguianos, reestreia, em agosto, duas peças do dramaturgo no teatro Cacilda Becker: "Boca de Ouro" e "A Serpente".
Cacilda Becker - Lapa - r. Tito, 295, Vila Romana, zona oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3864-4513. 195 lugares. Boca de Ouro, qua. e qui. A Serpente, sex. a dom. Preços e horários indefinidos. Ingr. p/ tel. 0/xx/11/4003-2050 ou p/ site www.ingressorapido.com.br/prefeitura
NELSON RODRIGUES 100 ANOS
 
Com curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e coordenação artística de Marco Antônio Braz, o projeto do Sesi traz leituras, debates (com a presença de Ruy Castro) e uma mostra (prevista para agosto).
Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso - av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3146-7405. Informações pelo site www.sesisp.org.br/cultura. GRÁTIS
Leituras
» 25/7: "Doroteia"
» 1o/8: "O Beijo no Asfalto"
» 22/8: "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária", com Lucélia Santos
» 29/8: "Senhora dos Afogados", com Cleyde Yáconis e Lucélia Santos
» 12/9: "Os Sete Gatinhos"
» 19/9: "Toda Nudez Será Castigada", com Cleyde Yáconis
» 3/10: "Viúva, porém Honesta"
» 17/10: "Valsa No 6"
» 31/10: "Anti-Nelson Rodrigues"
» 14/11: "Álbum de Família"
» 20 e 21/11: "O Anjo Pornográfico". Leitura dramatizada da biografia de Ruy Castro
Debates
» 11/7: "Nelson sob Ataque - Por que os Críticos Massacravam o Seu Teatro?", com Jefferson del Rios, Leyla Perrone-Moysés e Aimar Labaki
» 8/8: "Nelson vs. Marx - O Reacionário Libertário", com Nelson Rodrigues Filho, Otavio Frias Filho e Pedro do Coutto
» 15/8: "Nelson na TV - O Maldito do Horário Nobre", com Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg e Daniel Filho
» 5/9: "Nelson no Cinema "" Visto por Seus Diretores", com Nelson Pereira dos Santos, Neville de Almeida e Claudio Torres
» 26/9: "Nelson e Suas Estrelas - A Coragem de Ser Engraçadinha", com Vera Vianna, Lucélia Santos e Betty Faria
» 10/10: "Nelson Mal na Fita - Por que os Críticos Desprezavam os Seus Filmes?", com Luiz Carlos Merten,Walter Lima Jr. e Ismail Xavier
» 24/10: "Nelson no Divã - Por que os Psicanalistas Eram Loucos por Ele?", com Christiane Torloni, Luiz Zanin Oricchio e Elie Cheniaux
» 7/11: "Nelson Escritor - Por que os Críticos Esnobavam a Sua Literatura?", com Manuel da Costa Pinto, Luiz Augusto Fischer e Edélcio Mostaço
» 28/11: "Nelson em Pessoa - O Homem como Ele Era", com Francisco Horta, Neila Tavares e Carlos Heitor Cony

26 de jun. de 2012

[Nelson Rodrigues] Acima do bem e do mal

No último post sobre Nelson Rodrigues, contei sobre minha escolha de tê-lo como objeto de estudo para meu TCC da faculdade de jornalismo e prometi deixar para vocês o editorial da revista que criei. E aqui, promessa é dívida. Então, segue abaixo.



Boa leitura!


ACIMA DO BEM E DO MAL
Talita Camargo


"É difícil dizer quando Nelson Rodrigues deixou de ser o reacionário “anjo pornográfico” para tornar-se um dos mais conhecidos autores nacionais, digno de homenagens e fonte citações a todo instante. Mas o fato é que, apesar do merecido reconhecimento, ele ainda é incompreendido pela maioria das pessoas, inclusive por aqueles que dizem admirá-lo.

Entender a linguagem rodrigueana é entender a essência do ser humano, por ele coloca na fala de seus personagens tudo aquilo de mais sórdido e sincero que passa na mente das pessoas comuns e que nunca sai de lá.

Nelson provou que era superior a qualquer classificação de obsceno e tarado. Chamá-lo de transgressor da moral e dos bons costumes é reduzí-lo justamente àquilo que ele tanto criticava. Ele era amoral e, portanto, enxergava a essência dos homens comuns e a colocava nos palcos, em forma de obra de arte.

Para ele, ser humano de verdade era ser feito de muita carne, ossos e, acima de tudo, de todos os sentimentos ao mesmo tempo.

O amor leva à ambição que acarreta o desejo que provoca a loucura que causa a traição que chega na culpa que atrai a morte que sente dor que procura o alívio que isso que aquilo que...

É aí que se encontra sua real importância no âmbito da literatura e do teatro brasileiros, justamente no mais óbvio dos lugares e onde ninguém nunca consegue enxergar. E como já não conseguiam desde sempre, ele escancarou nas nossas caras. E acabou mal entendido.

O reconhecimento de Nelson Rodrigues como gênio foi, sem dúvida, um grande passo do povo brasileiro. Mas só a verdadeira compreensão de suas obras é capaz de provar que ele, na insistência dos personagens anônimos e insignificantes, foi um apaixonado pela alma brasileira e, acima de tudo, pela universalidade do ser humano. "


P.S.: Para quem tiver curiosidade de ver fotos dessa revista, é só conferir o álbum.

23 de jun. de 2012

[Nelson Rodrigues] Finalmente Nelson!

Desde que comecei a levar este blog a sério cobro de mim mesma um post sobre Nelson Rodrigues. E como neste ano comemora-se o centenário do nascimento dele, não posso mais adiar esse compromisso.

Resolvi, então, dividir com vocês um pouco da minha relação com a vida e obra de Nelson Rodrigues, que foi objeto de estudo do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Faculdade de Jornalismo da PUC-SP.

Lá era possível escolher o formato do TCC, que não precisava seguir os padrões e normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como na maioria dos cursos. Assim sendo, depois de muito pensar durante as férias de verão que antecederam meu último ano de graduação, escolhi fazer uma revista temática.  

Escolher o tema foi outro parto: precisava de algo comum ao jornalismo e à editoração para unir essas duas paixões. Foi quando meu pai entrou em casa com a mais nova edição de “A vida como ela é...”, de Nelson Rodrigues, que acabava de sair do forno pela Agir (Grupo Ediouro).

A Agir havia ganho o leilão dos direitos autorais das obras de Nelson Rodrigues, os quais pertenceram por muitos anos à Companhia das Letras. Vale ressaltar que a nova casa das obras Rodrigueanas não fez feio. Muito pelo contrário: os livros são lindos e muito bem preparados!

Mas, como ainda era estudante de produção editorial da Anhembi Morumbi, meu desejo na época era produzir a revista inteira, do começo ao fim: pesquisa acadêmica, textos jornalísticos, entrevistas, pesquisas iconográficas, tirar algumas fotografias, diagramação, produção gráfica... tudo! Esse era o momento de provar, a mim mesma, que o casamento das duas faculdades que eu tinha escolhido, era perfeito. E adivinhem? Eu não estava errada! :)

Comecei, então, meu trabalho de pesquisa acadêmica: determinação da bibliografia, relação de possíveis entrevistados, seleção de imagens etc. Os primeiros textos ficaram longos e acadêmicos demais. E a minha falta de experiência jornalística não me ajudava em nada. Por cursar as duas faculdades ao mesmo tempo, eu não trabalhava. Na época, achava que estava investindo na minha carreira e podia me dar esse luxo. Foi uma decisão certeira e trabalhosa. Por outro lado, como disse, a falta de experiência era um problema. Por isso, aproveito para ressaltar a importância dos professores e orientadores e colegas, de ambos os cursos, para me guiarem nesse momento, pois as informações eram muitas e eu estava perdida. 

A parte das entrevistas foi incrível: Joffre Rodrigues, Sonia Rodrigues, Paulo Roberto Pires, Ruy Castro, Cassiano Elek Machado... Foi um momento de descoberta incrível e especial: cada dia mais eu me via envolvida nesse universo Rodrigueano. Li todos os livros do autor (além, é claro, de sua biografia “O Anjo Pornográfico, leitura altamente recomendável), assisti todos os filmes relacionados à obra dele, e todas as peças de teatro em cartaz na época. Mergulhei de corpo, cabeça, alma e coração neste trabalho.

Outro momento que vale a pena lembrar foi a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que naquele ano homenageou justamente Nelson Rodrigues e que foi grande fonte de pesquisa, entrevistas e fotografias. 

Para produzir tal revista, minha grande inspiração era a “Entrelivros”, extinta publicação da Duetto Editorial (também do Grupo Ediouro), que fazia esporádicas edições temáticas sobre determinados autores. Foi assim que nasceu a “Em Cena”, nome da minha revista, que trouxe, em seu primeiro número, a história da vida e obra de Nelson Rodrigues.



O processo de criação do TCC que escolhi fazer foi muito mais lento, demorado e trabalhoso do que de costume, justamente porque tive que aprender, sem experiência alguma, a fazer uma revista. Não imaginei, na minha ingenuidade, o trabalho que é fazer uma revista desse porte sozinha. Talvez seja por isso que hoje em dia valorizo tanto o trabalho em equipe, cada um no seu quadrado e todos no mesmo círculo.

O conceito da minha revista era que cada edição fosse exclusiva sobre um autor da literatura nacional, numa periodicidade trimestral. Levar o projeto adiante seria bastante complicado porque, infelizmente, publicações impressas vivem de anunciantes, o que, na época, era algo bem distante do meu conhecimento.

Mas o resultado final valeu a pena! Rendeu uma revista de 64 páginas, com acabamento gráfico bem bacana! Hoje, cinco anos depois e com alguma experiência profissional nas costas, vejo erros claros nessa revista que ficou só na primeira edição. Relendo o material, percebo falta de revisão, excesso de texto, imagens em baixa resolução, alinhamento que não agrada a leitura e uma série de outros pontos que não seriam aprovados por uma editoria competente.

Porém, na época, fui aprovada com 9,5 e muitos elogios pelo resultado final que, além de tudo, me proporcionou maior contato com as obras de Nelson Rodrigues, permitindo assim, que eu me apaixonasse pelos seus textos.

No próximo post, vou publicar o editorial da revista “Em Cena” para dividir com vocês o que eu entendo de Nelson Rodrigues.

Enquanto isso, deem uma olhadinha no álbum e vejam como ficou o meu TCC (só não vale rir, hein? Rs!)

29 de jan. de 2012

[Dica de outras boas leituras] Confissões de Nelson


Curta-metragem Fragmentos de Dois Escritores mostra Nelson Rodrigues contando sua história e suas indagações

Em 23 de agosto de 2012, o escritor e polemista pernambucano Nelson Rodrigues completaria 100 anos. 



Entre as comemorações do centenário, que incluem montagens de suas 17 peças, exposições e relançamento de sua obra pela editora Nova Fronteira, está a divulgação do curta-metragem Fragmentos de Dois Escritores

Dirigido pelo dramaturgo João Bethencourt em 1969, o filme mostra Nelson falando sobre si e em algumas cenas de sua rotina e também o dramaturgo norte-americano Edward Albee. A fita, que era considerada perdida inclusive por Bethencourt, foi encontrada pelo historiador brasileiro Carlos Fico no Arquivo Nacional dos EUA. 

Assista a trechos de Fragmentos de Dois Escritores:



Fonte: Bravo