Apesar de
ser uma eterna apaixonada por livros físicos, sempre estive ciente - e a favor
- do advento dos livros digitais. Mas desde que estive em Yale, em julho do ano
passado, para o Publishing
Management Course, meu pensamento a respeito da produção e vendas de
e-books mudou.
Continuo
sendo a favor deles. Mas acredito que falta, principalmente no Brasil, coragem
para investir com foco. Voltei do curso em Yale afirmando que levaria a
frente dos e-books por aqui quem apostasse enfaticamente na criação de
aplicativos (façam uma pausa na leitura e vejam a demonstração do aplicativo
"Our Choice", de Al
Gore, para entenderem o meu ponto). E, mais além, afirmei que o ideal
seria começar investindo nos apps didáticos, para serem usados em salas de aula
e nas lições de casa.
O conceito de e-book deve ser diferente do dos apps de livros: um aplicativo deve ser pensado para haver interação, infográficos, vídeos etc etc etc.
Outro
dia, conversando com uma amiga, debatemos sobre o absurdo que é, em plena
sociedade 3.0, as escolas ainda obrigarem os alunos a ficarem quase uma hora
parados, olhando apenas para a lousa e para o professor, e ainda exigir que
eles aprendam e absorvam o conteúdo, que lhes será cobrado numa única avaliação
em que são, literalmente, colocados à prova.
É
inconcebível que as escolas, os professores, coordenadores e pais de alunos
aceitem com passividade esse atraso na vida de crianças as mudanças das
salas de aula. E leitores conservadores: não me venham com o discurso
saudosista que começa com "no meu tempo...". O seu tempo - o nosso
tempo - não é o agora. Simples assim.
Há muito
pouco tempo, não existia web mobile, redes sociais, cobertura jornalística em
tempo real. Não havia essa necessidade urgente de vivermos compartilhando,
curtindo e de sermos instantâneos. E, se o
mundo mudou, se a nossa sociedade mudou, por que então as escolas e a educação
como um todo não precisariam mudar? É claro que elas precisam!
A escola
e a universidade são espaços de debate, de troca de conhecimento. Não dá para
ignorar que o acesso ao conhecimento hoje em dia é vinculado à tecnologia. Ignorar
isso é um retrocesso na evolução do sistema educacional do país.
E, então,
ontem pela manhã, li na Folha de S. Paulo um artigo
da linda da Raquel Cozer, que
afirma que Isa Pessoa, ex-diretora editorial da Objetiva, está abrindo uma nova
editor, a Foz, que terá foco na produção aplicativos para livros digitais, ou
como ela mesma chama na reportagem, os “livros digitais, pensados
originalmente para a leitura digital”.
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| Isa Pessoa Foto: Cecilia Acioli/Folhapress |
A
reportagem ainda conta que o carro-chefe da editor sera a Coleção Mestre-Sala,
com paradidáticos digitais criados a partir de clássicos da música brasileira.
Mas essa brincadeira sairá cara: a produção de cada livro não sairá ppor menos
de R$ 90 mil.
Mas a
Foz não é única editoa com condições financeiras de investor em um projeto
inovador como este. E estou certa de que ela terá muito sucesso e, em breve,
começará a ser copiada pelas outras grandes, que engavetaram seus projetos e
não tiveram coragem de investir.
As
editoras brasileiras vão se surpreender com o sucesso
dos livros apps.











