17 de ago de 2011

[Dica de outras boas leituras] Há Cores e Acordes

Recebi a dica do livro "Há cores e acordes", da editora Ofício das Palavras do Guilherme Kroll, editor da Balão Editorial, e logo me interessei pelo trabalho. Então, resolvi repassar para vcs. #FICAADICA. E alê BH: Tem lançamento no fds por ai!!! 

O lançamento do livro "Há cores e acordes", da escritora Luciana Lorens Braga será no dia 20 de Agosto de 2011, sábado, das 14h às 16h, na Livraria Cultura do Salvador Shopping, piso L2 - Salvador - BA.


Aproveitem e cliquem AQUI para um tira gosto do conto 01 - Preciosidade.

SOBRE O LIVRO




Há Cores e Acordes é a estreia em ficção adulta de Luciana Lorens Braga, autora que já tinha passeado pela literatura infantil  com a Rabeca conquista a orquestra lançado em 2009.

E é na literatura que ela encontra sua voz retumbante, responsável pelo conjunto de textos que compõem essa obra, agraciada com o Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Tratam-se de contos intimistas que mergulham fundo nos sentimentos dos personagens.
Tudo isso apoiado num estilo literário próprio de Lorens Braga, sem grandes pirotecnias, mas com a medida certa de ousadia. Após o primeiro texto, ao ler uma linha da autora o leitor já a identificará, isso demonstra o quão particular é sua escrita.

O livro é apoiado em uma diagramação que busca deixar vazios entre os parágrafos, fornecendo tempo para o leitor respirar entre um parágrafo e outro, de meditar a respeito do que vivem os personagens e de como viverão depois de passar por aquilo. 

O resultado culmina em narrativas poderosas, com situações simples, mas que desvelam emoções e reflexões variadas em quem as lê.

O primeiro texto é "preciosidade", sobre um garimpeiro as voltas com a morte e o amor em um território inóspito. Já "mudança" um narrador em primeira pessoa conta as angústias de uma trocar de casa, trocar de vida. O livro segue com "fotografiló" a personagem Filomena mergulha em memórias de sua vida. Em "a beira de amar", a metáfora do amor e do mar já fica clara no título, e se aprofunda de maneira lírica no andamento da história. O próximo conto, "butim de guerra", a revolução surge como uma metáfora para a passagem dos anos. "mas pra que esses olhos tão grandes?" a autora volta novamente a psique humana e estuda seus anseios em mais um texto profundo. O penúltimo texto é "dominique", estrelado por um cãozinho. O livro se fecha com "pára-quedas", com metáforas para a liberdade que só uma aventura (literária?) pode nos trazer. 


SOBRE A AUTORA 

Luciana Lorens Braga nasceu em Salvador, em 1979. É psiquiatra, psicanalista e doutoranda em Psiquiatria pela Unifesp. Autora de “Há cores e acordes” (Editora Ofício das Palavras, 2010) e do livro
infantil “Rabeca conquista a orquestra” (Editora Biruta, 2009), projetos premiados pelo Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em 2008 e em 2009.


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A seguir vai o texto que credenciou o livro para o Programa de Ação Cultural (PROAC):

“Há cores e acordes” é um título escrito no plural. A referência é, portanto, múltipla: são diversas as tonalidades presentes na pintura e na música. Como também são infinitas as matizes do gosto, as nuances do toque, o entretom dos cheiros. No título, um convite: um mergulho na sensibilidade. O avesso dessa imersão sinestésica é o mundo em que vivemos hoje, marcado pela imposição e exposição do gozo, pela extorsão do íntimo, pela “cientifização” dos sentidos.
 É o mundo da absolutização da visão, do voyeurismo generalizado, em que a ideologia do “tudo ver” está presente em todos os domínios: nas câmeras de vigilância, nos aparelhos de comunicação, nas imagens médicas. Há um desvelamento do próprio olhar, com a ilusão de que uma verdade qualquer pode ser revelada mediante as imagens fabricadas pela ciência e tecnologia. Não há espaço para suposições, para vislumbres, para a imaginação. A contemplação implica em uma mirada destacada, pois onde há excesso de visão, não há olhar.
 Da mesma forma, cada vez mais percebemos esse olhar científico devorar até mesmo o campo da estética. Os enigmas da história da arte têm cada vez mais sido tratados em laboratórios de análise química, como se a pesquisa dos pigmentos da tinta fosse capaz de traduzir os mistérios de determinada tela. Belas obras de arte, como um Velasquez ou um Rembrant no Museu do Prado, agora podem ser vistas em 14 milhões de pixels, através do Google Earth. Como se o detalhe de uma pintura estivesse inscrito nos pixels e não na cena retratada, como se nosso puro olhar fosse incapaz de ver um quadro e interpretá-lo ou simplesmente admirá-lo.
 A proposta desse livro, sintetizada em seu título, é de ser um ato de subversão a essa ideologia dos sentidos domesticados pela ciência. O começo dessa transgressão está em não querer alojar a crítica em um discurso cientificista, mas em permitir o encontro do leitor com a poesia. Ao invés de tentar implodir essa ordem normatizante com racionalizações e metáforas gastas, a autora propõe a construção do belo, mediante um encadeamento de palavras capaz de produzir cenas, pinturas, fotografias. Assim, desaparece a imagem-sentido, fechada em significações impostas pelo registro da realidade, e surge a imagem-sensibilidade, aberta ao imaginário.
 “Há cores e acordes” reúne quinze contos que retratam personagens em momentos-fenda abertos em seus cotidianos. São pequenas epifanias, instantes de suspensão dos automatismos, em que a racionalidade dá lugar ao alumbramento. Momentos de profunda intimidade, em que os personagens percebem que mesmo nos paroxismos do “quase” – território de trégua das certezas – podem experimentar uma vivência de plenitude.
 O próprio leitor, ao adentrar no universo sensorial desses contos, também terá a oportunidade de fazer a experiência de contemplação do belo. A prosa poética, marca fulgente dos textos, possibilita o advento de uma linguagem em que a palavra deixa de ser utilizada como mero instrumento e apresenta-se, ela mesma, em suas dimensões do indizível. “Há cores e acordes” é uma obra para ser lida, imaginada e sentida.


Um comentário :

  1. Não conhecia o livro. Mas pelo que li em sua resenha parece ser de uma leitura agradável. Vou procurá-lo por aqui! :)

    Bjs.
    www.primeiro-livro.com

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