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23 de jan. de 2012

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...



"Aprenda com o ontem. Viva para o hoje. Olha para o amanhã."


"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a 
alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que 
damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu 
para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem 
explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.... Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender 
as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
 serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, 
seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, 
seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando 
tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, 
filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem 
noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam 
ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações,
 mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está 
acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa 
também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, 
e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram
seu gênio, que entendam seu amor.

Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, 
que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, 
e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, 
promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre 
são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo 
que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela 
pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, 
mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e 
assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de 
esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão".

(Fernando Pessoa)

29 de abr. de 2011

Que poema de Fernando Pessoa é você?

Recebi essa dica de uma queridíssima amiga (grande Eny!) e não podia deixar de compartilhar com vcs! É só clicar AQUI e descobrir o seu lírico de Fernando Pessoa. Façam este teste (é bem curtinho). Eu amei! Sou Bernardo Soares e tenho TUDO a ver com o Desassossego...
E você, que poema de Fernando Pessoa é? Me contem, que quero saber!!

O poeta Fernando Pessoa tinha uma atração peculiar por Bernardo Soares. Para início de conversa, ele o classificava de semi-heterônimo porque: “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”. Ou ainda: “Sou eu menos o raciocínio e a afetividade.” É importante destacar que foi por meio de Bernardo Soares, autor de “O Livro do Desassossego”, espécie de diário em prosa poética escrito a partir de 1914 que o poeta Fernando Pessoa mais sinceramente falou de si mesmo. 

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia a entrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência




 O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares

“A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.
 

Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.
 

Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
 

Mas quantos Césares fui!” 

(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)



24 de dez. de 2010

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!!!

Queridos,

Este foi um ano de muitas conquistas profissionais e disso eu não posso me queixar!
Vocês, meus leitores queridos e atenciosos, foram que me deram forças para levar esse blog a sério e virar uma apaixonada por essa brincadeira, que acabou por me abrir tantos caminhos!

A cada um de vocês, meu MUITO OBRIGADA!

Ano que vem estaremos mais juntos ainda!!

E para comemorar nossa parceria do dia a dia NO MUNDO EDITORIAL, nada melhor que belíssimas palavras de FERNANDO PESSOA, sobre LER!


FELIZ NATAL E FELIZ 2011 !!!!





OBS.: A ilustração é de autoria de Fernando Antonio Pires, que carinhosamente me enviou por e-mail.