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7 de jan. de 2011

[Novidade no ar] A Companhia das Letras nos presenteia com a CAIXA JOSÉ SARAMAGO

Quem é fã de SARAMAGO como eu levanta a mão!!! (Aliás, já leram os posts sobre ele? Dêem uma olhadinha AQUI, AQUI e AQUI! rs!)

A relação de Saramago com seu editor, Luiz Schwarcz e, portanto, com sua editora a Companhia das Letras era o que podíamos chamar de o mundo ideal da edição de livros. Pelo menos para uma espectadora apaixonada como eu! A maneira como o Luiz tratava, com carinho e respeito, das obras deste gênio da nossa língua e, acima de tudo, seu amigo é de se aplaudir!

E por isso mesmo a Companhia das Letras demonstra, mais uma vez, seu afeto ao Nobel português e lança, em sua homenagem, um box maravilhoso que reúne os seguintes livros do autor: "A caverna" (2000), "Ensaio sobre a lucidez" (2004), "Ensaio sobre a cegueira" (1995), "História do cerco de Lisboa" (1989), "A jangada de pedra" (1986) e "A viagem do elefante" (2008).




A CAIXA JOSÉ SARAMAGO já está disponível em todo o país e pode ser comprada por R$ 209,00.

19 de ago. de 2010

Saramago merece muito mais!

Quando José Saramago faleceu e Luiz Schwarcz publicou o belíssimo texto no Saudade não tem remédio, no Blog da Companhia (que recomendei veemente a leitura no post de tal dia) e, para quem leu, sabe que ninguém melhor que ele, Luiz, para falar com tanta propriedade de alguém que, se para nós era um grande gênio da literatura e o Nobel da Língua Portuguesa, para ele, era simplesmente o "José". 
Quem me dera poder ter a humildades de referir-me a Saramago de maneira tão humilde e tão próxima! Ouvir Luiz Schwarcz falar de Saramago, é, de certa forma, sentir-se mais próxima deste cânone literário, que encantou meu coração com Ensaio sobre a cegueira

Talvez por isso tenha saído tão encantada da Bienal do Livro ontem, onde fui por um motivo especial: assistir a Homenagem a José Saramago, no Salão de Ideias, Clarice Lispector, com participação de LUIZ SCHWARCZ (seu editor brasileiro pela Companhia das Letras), JOÃO MARQUES LOPES (autor português de Saramago: Biografia, publicado pela Editora Leya), e MIGUEL GONÇALVES MENDES (cineasta do documentário José e Pilar, que estrei no Brasil em novembro deste ano).

Os três convidados, intermediados por um jornalista e abordados por perguntas da plateia, falaram com muito carinho sobre Saramago. 


João Marques Lopes, Luiz Schwacz, Miguel Gonçalves Mendes e jornalista.

Luiz Schwarcz e Miguel G. Mendes

Como editor, Luiz Schwarcz contou detalhes interessantes, como por exemplo, que interferia muito pouco no texto de Saramago; não só porque o próprio autor escrevia quase perfeitamente, mas também porque não deixava e não gostava de interferências. Era fiel ao seu próprio texto. Além do mais, não era da cultura dele com seu editor português esse tipo de interferência textual e Luiz respeitou isso. Luiz Revelou, também, que foi ele, junto com Pilar, esposa de Saramago, que comprou o primeiro computador ao mestre: até então, ele escrevia seus livros a mão, depois datilografava na máquina de escrever e, por fim, corrigia os erros e datilografava uma terceira e última vez, já se autoeditando e corrigindo. Ele escrevia seus próprios livros três vezes cada. Surpreendedor, não?

Já Miguel Gonçalves Mendes, que vivenciou o dia a dia do casal José e Pilar nos últimos quatro anos, contou como foi difícil fazer com que Saramago aceitasse essa ideia. Foi só depois de mostrar um outro documentário do cineasta sobr eum famosos poeta português, que Saramago se rendeu à ideia, mas ainda assim com receio de "não ser tão interessante". Como se isso fosse possível!! Miguel falou também do incômodo da relação que Portugal (leia-se aqui o Governo Português) tem de Saramago e foi o que motivou a fazer esse documentário, com o objetivo de mostrar o lado pessoal do grande autor, junto ao seu amor eterno, Pilar. O filme mostra o cotidiano, sem depoimentos, deste casal que, segundo o cineasta, "eram a dupla perfeita; formavam uma pessoa só". Ele, sempre genioso, e ela, muito mais calma e forte. 

João Marques Lopes, por sua vez, admitiu não ter tido contato pessoal com Saramago e que, seu gosto pela obra dele - que leu desde pequeno - o fez procurar a Fundação José Saramago a fim de escrever a biografia. Recebeu a autorização e, baseado em entrevistas e pesquisas, escreveu o livro que, na versão brasileira, traz um belíssimo caderno de fotos. João contou que Saramago chegou a ver a versão portuguesa de seu biografia e que elogiou muito o trabalho, salvo apenas uma única correção: Saramago afirma que que uma suposta proposta milionária de Hollywood para filmar Memorial do Convento, nunca existiu. 

Mas, para mim, o que valeu mesmo foram duas coisas: a primeira, foi ver o Salão de Ideias lotado de ouvintes e, principalmente, de um público interessado e cheio de perguntas que não acabavam nunca! A segunda, e mais marcante, foi ouvir as histórias de um homem tão simples, mas que consideramos aqui quase como um Deus (o que chega a ser irônico, em se tratando de alguém com tantas brigas com a igreja e religiões, rs!). 

O Biógrafo, o Editor e o Cineasta


Um pouco sobre Saramago (o ser humano por tráz do Nobel):

- Saramago, mesmo à beira da morte, sentia que ainda tinha muito o que dizer. 
- Ele não gostava de que suas obras ganhassem versão cinematográfica, pois não gostava de ver a cara de seus personagens. Ensio sobre a cegueira foi uma exceção à regra que comoveu muito o autor quando viu o filme pronto (vejam no post Caiu uma lagriminha... (Ainda sobre Saramago) que emocionante!)
- Ele era muito intuitivo.
- O Brasil sempre lhe foi um terrno muito fértil. 
- Sentia muita alegria por ter seu trabalho reconhecido em vida.
- tinha a certeza de que não veria sua decadência como escritor, pois começou a escrever muito tarde e sabia que morreria antes. 
- Não era extremamente popular e nunca fez sucesso em países como França, Inglaterra e Estados Unidos, por exemplo. 
- Não teve uma administração de seua carreria, não tinha noção do quanto de dinheiro ganhava e era fiel aqueles que sempre lhes ajudava. 
- Era muito simples e não vivia do luxo. 
- Sempre que vinha ao Brasil, morava na casa de seu editor, Luiz. 
- Quando tinha a certeza de que Viagem do elefante seria seu último livro, decidiu (numa viagem ao Rio de Janeiro) que escrevaria Caim. E escreveu. 
- Quando tinha a certeza de que escreveria outro livro depois de Caim, faleceu e não temrinou.
- O futuro de sua obra é incerto, mas não deixará de ser o que nos países em que já se consagrou, como o Brasil, por exemplo.

Mas de tudo que ouvi ali, de todas as histórias, piadas, contos e causos, teve algo que me marcou. Alguém na plateia, como última pergunta, pediu que cada um dos convidados contasse qual a lição que Saramago havia lhes deixado. E, como não poderia deixar de ser, Luiz deu uma resposta que não esquecerei jamais; realmente me comoveu: 

"Apesar do jeito carrancudo de Saramago, ele não conseguia evitar o sorrisos. E às vezes - bem poucas - até gargalhava. Ele tinha a noção de que tinha uma missão, mas que no fundo, não conseguiria: mudar o mundo. José viveu contraditoriamente a vontade de mudar o mundo". 


E e eu fui para casa pensando... O que eu fiz para mudar o mundo hoje? Eu também quero ir viver, mesmo que na antítese, a vontade de realizar meus sonhos. Miguel Gonçalves Mendes tem mesmo razão: "Saramago era altamente inspirador para todos nós. Ele ia até o limite." 

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OSERVAÇÃO: 

- Luiz Schwarcz anunciou uma homenagem a Saramago, que será realizada no dia 21 de setembro, de 2010, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Será uma exposição de uma fotobiografia do autor, chamada A consciência dos sonhos. Publicarei maiores informações quando sair, mas desde já, sintam-se todos convidados pelo próprio editor, que ficará muito feliz com o sucesso do evento.

- Para verem todas as fotos que tirei do evento, basta acessar o ÁLBUM DE FOTOS DO PICASSA

26 de jun. de 2010

Porque, para mim, Saramago é para sempre!

 "Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: dar voltas.''

Eu sei que já faz uma semana que José Saramago faleceu e que muitos vão dizer que estou atrasada nos post. Quer saber? Não me importo! Eu sei que estou atrasada. Mas ainda não ter escrito nada sobre a triste morte de Saramago não teve nada a ver com minha falta de tempo costumeira de atualizar isso aqui. Não, dessa vez o motivo foi outro.
Eu simplesmente não queria chegar aqui e fazer um simples release jornalístico de vida e obra daquele que considero um dos maiores gênios da Língua Portuguesa. Isso todo mundo já fez e refez e quase conseguimos decorar a trajetória honrosa esta mestre da literatura.
O que eu queria era mais do que isso... Eu queria poder contar a vocês e dividir aqui minha relação com o texto dele, e isso me levou certo tempo.


“O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. 
O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.”


Eu me dei conta de que demorei para ler Saramago. Já estava no primeiro ano da Faculdade de Jornalismo da PUC-SP quando me encorajei a ler Ensaio sobre a cegueira.
Eu não sou uma pessoa muito fácil de me comover com filmes e livros. Choro pouco e confesso ser um  cética demais em muitos aspectos. Mas este livro causou uma reação atípica de mim, que não só chorei entristecidamente, como sofri junto com as personagens e pude sentir a agonia de cada uma delas. 
A maldade do ser humano, a crueldade que há em cada um de nós (e acreditem: não há exceções)... O desespero, a ruindade, o medo, a fome... Todos esses sentimentos me vieram à flor da pele a cada página devorada por mim. E muitos de vocês devem perguntar-se por que, então, não abandonei a leitura? Porque era simplesmente impossível de fazer isso!
Saramago tem um jeito tão particular de escrever, tão dele, tão único; que cria um imã entre seus livros e os leitores. É uma relação passional que, se analisada do ponto de vista racional, faz todo o sentido do mundo!

"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."

É por isso que o considero um gênio: porque ele causa reações transformadoras em quem o lê e, principalmente, em quem se permite entendê-lo.
O fato de ter recebido Nobel, de ser um idealista imortal, de ser um lutador invicto... Bom, tudo isso só agrega qualidades aquilo que lhe é natural: a transparência.

A leitura dos livros de Saramago é uma experiência quase dolorida, de tão humana. Mas todos nós deveríamos nos propor a sofrê-la.
Ler José Saramago mudou minha vida, minha perspectiva do mundo e, principalmente, minha compreensão do ser humano.

E é por isso que , para mim, Saramago é pra sempre!

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

José Saramago, Paris, 1998.
Fotografia: Daniel Mordzinski.
Arquivo Fundação José Saramago



P.S: Recomendo a todos que ainda não tenham feito, que leiam o texto de Luiz Schwarcz, editor de Saramago no Brasil (todas as obras dele são publicadas pela Companhia das Letras), no Blog da Companhia. O texto "Saudade não tem remédio" é uma declaração sincera que comprova, mais uma vez, a transparência desta grande homem que foi José Saramago. 

P.S2: A Editora Leya publicou o livro Saramago - Biografia, de João Marques Lopes. Para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre ele, é uma boa dica de leitura bastante agradável, além de vir com um cadernos de fotos lindíssimo, que inclui a imagem acima.

P.S3: Leiam mais posts sobre Saramago:
*Todas as citações acima são de autoria de José Saramago.