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4 de set. de 2012

Os blogs, as parcerias e o conteúdo jabá

A blogosfera toda acompanhou de pertinho o caso dos três blogs de moda e beleza que estão sendo acusados de fazerem posts pagos velados (não-explicitamente) sobre produtos da nova loja da Sephora, recém-inaugurada no Brasil. 



Se você é blogueiro e não sabe do que estou falando corra para fazer a lição de casa e se atualizar, porque não importa o conteúdo do blog, mas sim que, pela primeira vez, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) investiga irregularidade na veiculação de publicidade em blogs. E mais: o órgão abriu processos contra cada um dos blogs para investigar a suspeita de propaganda velada nos posts. 

A suspeita se deu por conta da simultaneidade em que os posts foram publicados e, principalmente, a semelhança dos textos nos três posts. 

Segundo reportagem publicada na Folha de S. Paulo (29/08), a assessoria de imprensa do Conar explicou que  "blogs não podem tentar disfarçar ou fazer com que o consumidor não perceba que se trata de propaganda comercial". Ainda de acordo com a reportagem, o órgão também explicou que toda publicidade deve ser claramente identificada e percebida como tal pelo consumidor. 

E se você, leitor deste blog literário, está se perguntando o que temos a ver com os blogs de moda, é justamente aí que entra a explicação para este post. Afinal, a prática de parceria entre blogs literários e editoras é cada dia mais comum. Mas, como vimos acima, essa prática tem regras que devem ser seguidas. 

Eu, como toda boa blogueira que se preze, sou acima de tudo, leitora assídua de outros blogs de diversas áreas de interesse. Mas a lista de blogs literários que sigo é cada vez mais restrita. Isso porque é só ver o logo da editora na home do blog, que já sei que a resenha vai ser um jabá cheio de blábláblá enchendo o livro, o autor e a editora de elogios, mas esvaziando o leitor de conteúdo. 

O caso dos blogs de moda citado acima é um grito de alerta para que tanto as editoras quanto os blogs fiquem atentos ao simples fato que, mesmo não sendo pagos em dinheiro, os blogs estão sendo pagos com mercadoria (e sim, livros são uma forma de pagamento pela publicidade que os blogs geram, nem adianta vir com #mimimi). E não vejo mal nenhum nisso. Muito pelo contrário. Blogueiro também tem que comer, pagar contas e sustentar famílias. O mal está em não deixar isso claro para o leitor, que não pode ser ludibriado e nem tratado como um imbecil pelos blogueiros. 

Não dá mais para aguentar essa jabazeira de só elogiar os livros, as editoras, os autores. É impossível alguém sempre gostar de tudo. Isso, por si só, já é digno da perda de respeito e credibilidade. Se o blogueiro quer ter profissão regulamentada e ser levado a sério, deve lembrar que tem a obrigação de transmitir informações verdadeiras, com conteúdo agregado e jamais deve esquecer de citar suas fontes. 

Vale ficar atento porque o mercado está olhando para nós, blogueiros, como um potencial de conteúdo agregado e, portanto, os órgãos regulamentadores vão ficar cada vez mais antenados, exatamente como deve ser. 

Afinal, não se pode levar a sério quem não se leva a sério, né? O jeito é arregaçar as mangas e trabalhar duro para que o seu blog acrescente informações relevantes à vida dos leitores. 

#ficaadica, pessoal! 


Não sei o autor disso, mas olha: parabéns!! :)

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P.S.: Sobre o caso Sephora, em reportagem à Folha, a empresa negou as acusações, como já esperado. Para saber mais sobre o caso, vale visitar os sites da Folha, da Veja e da Istoé Dinheiro

2 de mar. de 2011

Jornalista é jornalista. Escritor é escritor. Blogueiro é blogueiro. E a ética é de todos nós!

“Um escritor, como um pugilista, precisa ficar sozinho. Ter suas palavras publicadas é como entrar num ringue: coloca seu talento em evidência e não há onde se esconder.”

É assim que o filme “O resgate de um campeão” começa e termina. Seguindo um conselho (muito bem dado, diga-se de passagem) assisti ao filme e, como previsto, cá estou escrevendo sobre a relação dele com minhas profissões (assim no plural mesmo). 

Para quem não sabe, sou formada em Jornalismo, pela PUC-SP E  em Produção Editorial, pela Universidade Anhembi Morumbi. Costumo dizer que fiz a escolha do casamento perfeito, porque os cursos me foram extremamente complementares. Então, decidi incluir aqui minha “terceira profissão”: blogueira; e assim, abrir uma discussão e convidar a todos vocês para participarem: ÉTICA





Há algumas semanas, no postParceria, uma via de mão dupla”, muitos comentários falaram da seriedade do trabalho de um blogueiro como jornalista. Eu discordo desse ponto de vista. Acho que blogs não necessariamente precisam ser de propriedade de um jornalista, isso não faz o menor sentido, já que a  Internet é de todos. E, acima de tudo, acho que os blogs não precisam fazer o mesmo  trabalho que o de um jornalista.

Jornalista é o profissional que gasta a sola do sapato (como me ensinou meu melhor professor da PUC) para correr atrás da verdade factual. E toda verdade tem dois lados. Cabe aos jornalistas autenticar a coerência das versões, apresentando-as ao leitor, de maneira objetiva e fiel à realidade. É o caminho da busca da verdade é o que move (ou pelo menos deveria) um profissional do jornalismo.

É exatamente isso que o repórter esportivo Erik, personagem de Josh Hartnett faz no filme citado acima. Perdido em sua profissão, ele salva um sem-teto e acredita que ele seja Bob Satterfield, uma lenda do boxe, que todos acreditavam estar morto. Assim, surge a oportunidade de uma grande matéria, resgatando a história de um campeão. Envolvido com a ganância de mostrar-se competente para seu chefe, sua ex-mulher, seu filho e para si mesmo, ele esquece os princípios básicos do jornalismo e publica uma matéria falsa, já que o verdadeiro Bob Satterfield realmente estava morto há anos. Erik não se comprometeu com a verdade factual e não checou nenhum fato que lhe foi apresentado. Ele não foi jornalista, mas, sem querer, foi um belíssimo escritor.

A matéria, que lhe rendeu sucesso momentâneo e grandiosidade profissional de poucos dias, seria um excelente livro de romance-reportagem, gênero inaugurado por Truman Capote, com o livro A Sangue Frio¹, num caso clássico em que a literatura respira a ficção, mesmo que baseada em fatos reais.

Acredito que não há mais jornalismo que prenda a real atenção dos leitores. Eles não querem mais saber e não têm mais tempo para ficar lendo textos e mais textos sobre a tal verdade factual. O que todo mundo quer e gosta mesmo é de uma boa história para contar, ouvir e poder debater sobre. E uma história sempre pode virar uma outra história, basta você permitir e sua imaginação deixar. Uma boa história deve ser escrita com paixão e transmitir o sentimento.

E no meio de tudo isso, há os blogs. Uma ferramenta de fácil acesso e simples manuseio, que invadiu nossas vidas e que tem todos os componentes para atrair diversos tipos de leitores, com brilhantes textos reais ou ficcionais. Os blogs têm um poder que não imaginam, mas também podem serem perigosos, quando passam a corromper o significado de ética.

Um bom blog deve sair do senso comum. Sair desse mais do mesmo de sempre e adentrar no campo do imaginário do leitor, garantindo fidelidade de visitação e visibilidade na blogosfera. Porém, da mesma maneira que Erik, o protagonista do filme, foi irresponsável em sua publicação -e assim como vemos casos semelhantes diariamente no cenário do jornalismo brasileiro e mundial-; a blogosfera parece estar recheada de coisas do gênero.

Ao assistir “A Rede Social”, percebi mais do que nunca que TUDO o que se escreve online é instantâneo e eterno. Com a mesma facilidade que a moda na Internet pega rápido, aquilo fica para sempre. Um exemplo bem próximo de nós, blogs literários, foi o caso citado no post “Parceria, uma vida de mão dupla”. Não importa que você tire o blog do ar, que você apague o texto, que remova a postagem no Facebook ou que delete do Twitter: alguém sempre já deu um print screen, já deu RT, já encaminhou por e-mail... Você nunca é rápido o suficiente para corrigir um erro online.

A Internet é rápida, eficiente, poderosa e pode ser extremamente impiedosa. Ou você se consagra em instantes, ou se destrói em minutos.

Talvez eu pareça um pouco vintage (talvez eu seja mesmo), mas acredito que essas esferas estão intrinsecamente ligadas. Não dá para desvincular jornalismo, literatura e blogs. Aqui, a parceria é de mão tripla: uma coisa depende da outra, direta ou indiretamente. Mas vale ressaltar que uma coisa NÃO é a outra.

Jornalista é jornalista. Escritor é escritor. Blogueiro é blogueiro. Mas todos eles têm um ingrediente comum: a busca pela ética. Seja lá qual for sua área de atuação, a ética deve sempre estar presente. E, infelizmente, temos visto falhas grandes e lamentáveis nesse quesito.

Finalizando, deixo as questões: 

Vocês acham que ÉTICA é mesmo essencial na relação jornalismo - literatura - blogs? 

Sim? Não? Por quê? Como é possível manter a ética em esferas tão próximas e de tão fácil edição como essas?

Aguardo o retorno de vocês!! :)

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¹ Se você não leu A Sangue Frio, CORRA! Além de ser uma história excelente e escrita de maneira muito envolvente (um dos meus favoritos, aliás), este livro é um marco na história do jornalismo e da literatura mundial, sobretudo dos Estados Unidos, dada a reflexão sutil sobre as ambiguidades do sistema judicial do país, que desvenda o lado obscuro do tão desejado American Dream).

27 de fev. de 2011

[Dicas de outras boas leituras] N'O Espanador

Juliana Leuenroth, uma jornalista, impaciente que adora ler e tem uma preferência mórbida por biografias. Luani Guarnieri, historiadora, ilustradora, designer e devoradora de livros infantis,  que pesquisa suas narrativas visuais ao longo dos tempos. Rafael Kalebe, um palmeirense e leitor compulsivo do signo de Escorpião. Rafael Menezes, um são paulino, leitor crônico, cinéfilo ávido e escritor nas horas vagas, formado em Letras e não gosta de Madame Bovary e venera Joyce.

Quatro amigos. Pessoas como quaisquer outras. Ex-colegas de trabalho. E uma coisa em comum: o amor eterno e incondicional pelos livros.

Desde que comecei a trabalhar no meio editorial estou sempre ligada nas novidades. E há alguns meses tive uma agradável surpresa na blogosfera chamada O ESPANADOR.





Um blog sobre livros bem diferente do que estamos acostumados a ver por aí. O Espanador ultrapassa os limites da fórimula pronta "resenha e promoções." E correndo o risco de ser xingada por aqui, já estava mais do que na hora de surgir alguém para sair do senso comum. Com uma análise mais profunda, o blog traz um novo olhar crítico sobre o universo editorial, com a propriedade de quem sabe do que está falando porque não só gosta do assunto, como entende muito bem dele.

O Espanador aborda diversos temas referentes ao universo literário, e as publicações são organizadas em: Literatura Brasileira, Literatura Estrangeira, Não-ficção e Quadrinhos. Além disso, ainda traz novidades sobre Eventos e as colunas do Convidados.
A leitura é agradável e divertida! Pelo blog ser composto por mais de uma pessoa, fica fácil de perceber a identidade de cada um dentro dos seus textos, bem como seus gostos e desgostos do universo literário. 

Nada e nem ninguém fica de fora dO' Espanador, que não faz diferença dos clássicos para os best-sellers, ou literatura infantojuvenil. Se é de ler, é d'O Espanador e é de todos nós.


O Espanador foi uma agradável surpresa imersa numa blogosfera saturada de mais do mesmo. Experimente você também! 









O ESPANADOR

Twitter: http://twitter.com/espanadinhas

Contato: oespanador@gmail.com

6 de fev. de 2011

PARCERIA, uma via de mão dupla.

Muitos de vocês já devem estar a par da polêmica que começou com o Blog Lendo e Comentando, que fez um protesto online contra uma editora parceira do blog, cujo nome não foi divulgado, que o repreendeu por ter feito comentários negativos à uma de suas obras, cujo nome também não foi citado.
O problema ganhou dimensões grandes demais e, aproveitando a oportunidade, resolvi abrir espaço para a discussão entre blogueiros literários e editoras

Todo mundo sabe do carinho sem tamanho que tenho por esses blogueiros, que desde que comecei a implantar parcerias na Lua de Papel, quando ainda trabalhava lá, me ajudaram e me ensinaram como funcionavam os processos, as resenhas, os brindes, as promoções e tudo mais que envolve esse mundo. Hoje, trabalhando na Universo dos Livros, não sou mais a responsável por isso e, assim sendo, sinto mais liberdade em falar a respeito, já que conheço bem os dois lados da moeda (sim, eu tb sou blogueira, não se esqueçam!)

Acho que um bom começo é relembrar o significado da palavra PARCERIA, que, segundo definição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é um substantivo feminino, que significa "Reunião de indivíduos para alcançar um OBJETIVO COMUM; COMPANHIA, SOCIEDADE". 

Ou seja, se a blogosfera tem interesse em receber exemplares gratuitos, a fim de lê-los e divulgá-los, acho que é no mínimo de bom tom que o blog tenha respeito e consideração para com a editora que lhe forneceu o exemplar nos termos de PARCEIRA. Afinal, a editora tem todo o interesse de que seja feita uma divulgação positiva do seu produto, não é mesmo? 



Nenhum leitor é obrigado a GOSTAR de tudo que uma editora publica. O NÃO GOSTAR faz parte e acreditem, nem nós, que trabalhamos publicando estes livros todos os dias, gostamos de tudo que fazemos. Mas fazemos. Fazemos e RESPEITAMOS o nome da instituição onde trabalhamos. Isso não nos obriga a fazer propaganda favorável ao livro que não recomendaríamos leituras, mas em hípotese alguma seria sensato fazer campanhas negativas, né?

Pois o mesmo acontece com vcs, blogueiros!
Se não gostam de um livro, por este ou aquele motivo, ok! Sem problemas! De verdade! Vcs estão no direito de vocês! Porém, daí a publicarem resenhas que degrinem a imagem do livro, ou que falem mal dos autores, ou que usem de termos baixos para falar do livro... Bom, aqui o meu lado editora vai ter que falar mais alto! Cadê o bom senso, pessoal??

Uma dica: Quando receberem livros que não gostarem, conversem na boa com a pessoa responsável, explicando que o livro não lhe agradou, e então, prefere simplesmente não falar NADA  a respeito do mesmo. Que tal? Parece muito mais honesto e justo, não é mesmo? 

É importantíssimo lembrar, também, que NENHUMA editora tem obrigação de DAR nada a NINGUÉM. Editoras são empresas, vivem do lucro e não de filantropia. Por isso, quando as editoras decidem firmar PARCERIAS com os blogs, elas têm o interesse da BOA DIVULGAÇÃO do seu produto SIM, sem o menor problema em assumir isso.

BLOGUEIROS queridos! Vocês têm que entender que PARCERIA É UMA VIA DE MÃO DUPLA. As editoras não podem fazer todos os caprichos de vocês sem querer nada em troca. E elas não são vilãs por desejarem a boa publicidade de seus produtos, não. 

Além do mais, atitudes como a citada no início do texto, só vão levar às editoras a se defenderem de possíveis problemas com blogs, dificultando cada vez mais as parcerias e, quem sabe até, tornando-as processos burocráticos, com contratos e cláusulas a serem seguidas por ambas as partes, a fim de formalizar o que hoje é entendido como um acordo de cavalheiros. Adivinha só quem seriam os maiores prejudicados dessa história toda?

Aqui ninguém é mocinho e nem bandido: ambos os lados têm interesses claros e definidos. Então, que tal colocar a cabeça no lugar, pensar com calma, e não querer gerar uma guerra de poderes? Um conselho: A probabilidade de as editoras acabarem ou fecharem as portas porque um ou outro blog está insatisfeito com isso ou com aquilo, é mínimo. 

Quanto a vocês, EDITORAS... Bom, acho que vale repensar toda essa estrutura de blogs e parcerias, né? Ser parceiro de quem? Por que? Como? Acho válido ficar atento e não sair assumindo parcerias com qualquer blog, de qualquer maneira, visando apenas a maior divulgação gratuita. Cuidado! O preço pode ser caro!! Tenham o cuidado de analisar os pedidos, de esclarecer os termos, as regras... Façam o trabalho com o mesmo carinho e atenção que a maioria dos blogs deposita nos livros de vocês. É uma troca nada mais justa, né?

Então, que tal levar de maneira literal a definição de PARCEIRA e começarmos a trabalhar como uma equipe unida, em prol do bem da leitura deste país?

Pensem nisso!



OBS1: Este post não tem a menor intenção em falar bem ou mal do blog Lendo e Comentando, muito menos de seu autor. Mencionei o mesmo porque foi o pivô da discussão e achei pertinente usá-lo como exemplo. Soube há pouco que o Blog saiu do ar e não tenho conhecimento do porquê isso aconteceu.

OBS2: O post não sugere, em momento algum, que os leitores omitam ou mintam sobre sua real opinião sobre os livros e as editoras. Sugere claramente, apenas, que se use o bom senso na hora de firmar parcerias.

OBS3: Percebi, com os comments, que há uma confusão entre "ser blogueiro" e "ser jornalista". Não desmereço nenhum e nem outro, mas há uma diferença clara para mim, que tratarei num outro post futuro.