Mostrando postagens com marcador Luiz Schwarcz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Schwarcz. Mostrar todas as postagens

12 de nov. de 2012

A velha [e esquecida] guarda do mercado editorial brasileiro


Há alguns dias o mercado editorial soube que Maria Emília Bender e Marta Garcia deixaram seus respectivos cargos de diretora editorial e editora na Companhia das Letras, após mais de 20 anos de casa.

Raquel Cozer, jornalista da Folha de S. Paulo, trata do assunto com propriedade e mais detalhes em sua coluna. Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, dedicou sua coluna no blog da editora, no dia 01/11, em uma homenagem às duas colegas de trabalho. 

O fato é que essa notícia me fez refletir sobre o mercado editorial brasileiro e seus personagens. E percebi que, muito embora eu considere nosso mercado conservador, a velha guarda tem espaço de atuação – e respeito das novas gerações - cada vez menor. 



Muitos vão dizer que estou errada, que esse não é o caso de Maria Emilia e Marta (e de certa forma não é mesmo), mas penso que estamos migrando para uma tendência editorial onde os velhos não têm vez. 

“O mercado mudou”, “a maneira de fazer livros mudou”, “o papel do editor mudou”, “o leitor mudou”... Essas são todas verdades, repetidas incansavelmente, aos defensores das novas gerações. A modernidade dos e-books, a instantaneidade das informações e o caráter plural e inovador dos profissionais estão roubando o lugar, cada vez menos expressivo, dos almoços com autores, encontros de livreiros e da [importante] troca de experiências profissionais. 

Longe de mim ser saudosista e achar que o mundo era muito melhor quando os livros ainda eram manuscritos, literalmente. Não vivi nessa época e nem desejaria viver. Sou da tal nova geração a que me refiro, sou pós-moderna, vivo conectada e acredito no conteúdo digital de qualidade.

Mas acredito, acima de tudo, nas pessoas. Maria Emilia e Marta foram casos públicos, divulgados pela grande imprensa, e por isso as uso como exemplos ilustrativos. Mas quase todos os dias, o mercado editorial perde o brilho ao perder pessoas, especialmente aquelas que dedicaram suas vidas a construir o mercado editorial brasileiro que, embora tenha muitas falhas, é consolidado e chama cada dia mais atenção mundo afora.

Além do mais, estamos perdendo qualidade propriamente dita. Os livros estão sendo feitos a toque de caixa, como se fossem industrializados na produção em massa. O resultado dessa pressa irritante são traduções porcas, revisões desleixadas, edições incompletas, diagramações amadoras e capas repetitivas. Essa urgência da nova geração editorial deixou de lado o respeito com o leitor. 

Com isso, estamos deixando de lado, de maneira nem sempre sutil e amigável, o que temos de mais precioso: a história do mercado editorial brasileiro. Acredito que o papel da nova geração é resgatar na velha guarda editorial o respeito ao leitor e, acima de tudo, o amor ao livro. 

2 de abr. de 2012

[Dica de outras boas leituras] Companhia das Letras lança quatro novos selos

No meio da minha viagem de férias, recebi a notícia de que a Companhia das Letras estava criando mais 4 selos editoriais.  Fiquei surpresa, mas contente.

Acho importante as editoras saírem da zona de conforto para se adequarem ao mercado e, acima de tudo, ao gosto e necessidades do leitor.

A Companhia das Letras não quis ficar para trás e, com isso, publicou no em seu blog, no dia 16/03, um post de autoria de Luiz Schwarcz, explicando os novos selos.

Segue o post, na íntegra, abaixo para vocês conferirem e se deliciarem com as novidades!

--


Companhia das Letras lança quatro novos selos

uma das propostas da Companhia das Letras, quando da sua criação, foi a de tentar falar com um público mais amplo do que aquele que supostamente lia obras de literatura ou ensaio, tidos na época como de interesse restrito. A ideia deu certo porque sempre optamos por livros bem escritos, porque pensamos na literatura como fator de atração de leitores e difusão da cultura.
Bem, a Companhia das Letras evoluiu muito desde 1986, e o país também. Hoje existem mais leitores no Brasil do que há 25 anos; por outro lado, publicando quase trezentos livros por ano, ficou impossível crescer mais fazendo o mesmo. Por isso, neste momento, anunciamos a criação de quatro selos novos, que atuarão paralelamente ao catálogo da Companhia das Letras como se fossem novas editoras.
Assim, nossa empresa começa a se reestruturar como um grupo editorial em que cada selo compõe uma unidade independente, e as atribuições internas serão mais descentralizadas. Os editores dos diferentes selos se ocuparão de uma gama mais ampla de atividades, começando pela contratação do livro, e seguindo até o acompanhamento da sua promoção e venda.
As boas-vindas de hoje são, então, para a Editora Paralela, voltada para a publicação de livros de entretenimento destinados ao grande público; à Editora Seguinte, o novo selo jovem da Companhia das Letras; à Portfolio Penguin, que atuará na área de negócios, política e economia; e à Boa Companhia, série que reunirá, em antologias temáticas, grandes nomes da literatura nacional e estrangeira.
Alguns dos autores e títulos antes programados para a Companhia das Letras migrarão para os novos selos, como, por exemplo, a obra de Patricia Cornwell, uma das escritoras mais bem-sucedidas comercialmente no mundo, e que agora receberá um tratamento editorial diferente na editora Paralela.
Esperamos levar nossa companhia aos vários caminhos percorridos pelos leitores, ampliando nossa proposta editorial, que continua a mesma no ideal de fazer bons livros — em todos os sentidos —, mas agora também para novos públicos. É o que espero, e anuncio com orgulho e alegria.
Luiz

* * * * *

Veja alguns dos lançamentos programados para os novos selos:
Editora Paralela: a partir de abril/2012 (www.editoraparalela.com.br)
  • Scarpetta, de Patricia Cornwell
  • 12 passos para uma vida de compaixão, de Karen Armstrong
  • A idade dos milagres, de Karen Thompson-Walker
  • O livro de Julieta, de Cristina Sáhcez Andrade
  • Sua vida em movimento, de Márcio Atalla
Editora Boa Companhia: a partir de setembro/2012
  • Verso livre (coletânea de poemas brasileiros)
  • O casamento da lua e outros contos de amor
  • No restaurante submarino e outros contos fantásticos
  • A linguagem dos animais e outras histórias de bichos
Editora Seguinte: a partir de setembro/2012
  • É o primeiro dia de escola… Sempre!, de R.L. Stine
  • The Selection, de Kiera Cass
  • Bloodlines, de Richelle Mead
  • All the Wrong Questions, de Lemony Snicket
Editora Portfolio Penguin: a partir de março/2013
  • A vida é uma cordilheira, de Ping Fu
  • Todos os negócios são locais, de John A. Quelch e Katherine E. Jocz
  • The Challenger Sale, de Matthew Dixon e Brent Adamson

5 de dez. de 2011

Companhia das Letras & Penguin Books: uma associação que está dando o que falar!

Não se fala em outra coisa: a editora Companhia dasLetras, um dos principais grupos editoriais do Brasil, vendeu 45% de suas ações à Penguin Books, uma das maiores editoras do mundo. O anúncio foi feito hoje (5/12) pela manhã, pelo próprio Luiz Schwarcz, numa entrevista ao lado de John Markinson, CEO da Penguin. 

Fonte: Blog da Companhia

O acordo prevê que a Penguin será dona de 45% e o grupo brasileiro ficará com 55%. A parte brasileira da editora pertence à família Schwarcz (dois terços) e à família Moreira Salles (um terço). Sócios minoritários da Companhia das Letras deixam de fazer parte deste acordo. Os valores do negócio não foram divulgados. 

Para ambas as partes envolvidas, a sociedade consagra uma parceria iniciada há pouco mais de dois anos com a publicação de uma coleção de clássicos pelo selo Penguin-Companhia.  Mas Schwarcz insistiu em afirmar que a associação com não significa mudança no controle. 

A nova estrutura terá um conselho de cinco membros, formado inicialmente por Schwarcz, sua mulher, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, Fernando Moreira Salles, Markinson e Gordon Williams, CFO da Penguin.

Para Markinson, o primeiro grande investimento do grupo num mercado de língua não-inglesa é muito significativo, já que, segundo ele, junto com a China e índia, o Brasil é um mercado de grandes oportunidades na área editorial. 

 

E apesar do advento do e-book, o maior foco do interesse da Penguin no Brasil neste momento é o mercado de livros impressos. Já para a Companhia das Letras, a excelência do grupo estrangeiro na área digital é vista como uma oportunidade de desenvolvimento de seus negócios neste setor que ainda engatinha no país.

Vale ressaltar que a sociedade não significa que a Companhia das Letras automaticamente publicará títulos da Penguin no Brasil. Makinson afirma que a Penguin manterá as boas relações que tem com todas as editoras brasileiras. 

 

Interessante observar que o outro grande interesse da Penguin é pelo setor educativo. A editora pertence ao grupo Pearson, que desde 2010 tem negócios importantes no Brasil. É dona do Sistema de Ensino Brasileiro, que inclui o COC, Pueri Domus e Dom Bosco. O grupo também é proprietário do jornal Financial Times e de 50% das ações da revista The Economist

 

Assim sendo, essa associação vai impulsionar o selo Boa Companhia, já existente e que se dedica a publicação de livros mais baratos para o mercado educacional. 

 

É difícil opinar sobre essa associação, já que tudo parece muito recente. O fato é que a Companhia das Letras aparenta atravessar uma de suas melhores fases, com dois best-sellers nas listas dos mais vendidos (Steve Jobs e As Esganadas) e encerrando um longo ano de comemorações pelos seus 25 anos. Portanto, só me resta pensar que a decisão de Schwarcz não foi um tiro no escuro. E nem poderia ser. Foi certeiro. 

 

O lado da Penguin é tão surpreendente quanto o da Companhia. Num momento de crise no mercado econômico norte-americano, um investimento desse porte, no mínimo, impressiona. Confesso que achei a Penguin corajosa e ousada, já que o destino dessa história não pode ser previamente dado como um sucesso. É preciso esperar para ver no que isso tudo vai dar. 

 

O ganho que o mercado editorial brasileiro terá com essa associação ainda é uma incógnita. Mas no meu ponto de vista sempre otimista, só temos a ganhar. Principalmente com o desenvolvimento da área digital. Fora isso, não dá para esperar menos do que tudo o que a própria Companhia das Letras já oferece, não é mesmo? Então, não vejo motivos para nos preocuparmos!

 

Mas, como disse, ainda é muito cedo para afirmações concretas. Vamos acompanhar o desenrolar dessa trama e torcer para um final feliz. Para nós leitores, é claro!  

 

 

 

 

 

 ---

 

P.S.: Leia trechos das cartas de Luiz Schwarcz e John Makinson que foram enviadas aos seus funcionários, publicados no Blog da Companhia

 

P.S.²: Parabéns às duas empresas envolvidas porque, acima de qualquer especulação, essa associação foi um grande negócio na história do mercado editorial brasileiro.


10 de nov. de 2011

25 anos de Companhia das Letras: uma comemoração para quem foi, é e sempre será

Sabe aqueles reencontros de colégio, onde aparecem aquelas pessoas que você nem se lembrava que existiam, mas que ajudaram a construir sua história? Ou, então, aquelas reuniões de Natal, em que os parentes e amigos mais distantes marcam presença? Pois era exatamente esse o clima do coquetel de comemoração dos 25 anos da Companhia das Letras, que aconteceu ontem, 09/11/11, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. 

O evento foi último de uma série de comemorações que aconteceram durante este ano. Vale dizer que achei bastante significativa essa decisão da editora de, ao invés de fazer uma grande festa para poucos; convidou o Brasil inteiro, em diversas oportunidades, a comemorarem com eles. E para quem não acompanhou o ano das comemorações, sugiro dar uma passadinha no Blog da Companhia das Letras, que ilustrou tudinho pra gente (todasagradece a Diana Passy por cuidar tão bem do Blog)! 

Mas voltemos à noite de ontem. Bela noite, diga-se de passagem. Lua cheia, calor de primavera, trânsito paulistano favorável. Noite perfeita para muita champagne e um pouco (ou o máximo possível) de Amós Oz



Luiz Schwarcz fez as honras da casa e iniciou a cerimônia, no Teatro Paulo Autran, com agradecimentos aos companheiros de trabalho, aos filhos Júlia e Pedro (ambos trabalham na editora), às netas, aos pais, aos amigos próximos, aos sócios, a todos os presentes e, em especial, a sua esposa, Lilia Moritz Schwarcz, numa das mais lindas declarações de amor que já ouvi: "Lilia editou o meu coração!" 

(Pausa para a dica: Atenção homens! Está decidido: eu só vou amar de verdade quem editar o meu coração! #ficaadica). 

De tudo o que Luiz disse (além da linda declaração pública descrita acima), e num momento de brincadeira, sugeriu que todos os colaboradores da Companhia deveriam ser chamados de editores: o editor de vendas, o editor de divulgação, o editor de revisão... Afinal, todos lêem e amam os livros. Pensei neste instante no meu dia a dia de trabalho. Acho que, dificilmente, eu vá concordar tanto com uma sugestão, mesmo que hipotética, quanto concordei com esta. Ele afirmou, ainda, que "fazendo livros acabei fazendo amigos"; e que é papel do editor (profissional) e da editora (instituição) usar, mostrar, respeitar e espalhar a palavra dos autores.  Para finalizar seu discurso, fez a leitura de um belíssimo prefácio inédito da edição comemorativa de 40 anos, ainda não publicada, de "Meu Michel", de Amós Oz, o autor convidado de noite que segundo Luiz, "foi o autor escolhido para representar todos os outros autores".

Quando Amós entrou em cena, percebi que eu tinha uma ideia muito diferente dele, não sei exatamente o porquê. E, ao longo da conferência, senti-me emocionada e agradecida pela oportunidade daquele momento único. E mágico.  Confesso que tenho vergonha de assumir o quão surpresa fiquei com a palestra de Amós. Sim, porque não deveria esperar nada menos de alguém que escreve romances como ele, não é mesmo?



Vou contar um segredo. Eu tenho uma teoria: todas as pessoas no mundo deveriam poder conhecer Paris. Não que seja minha cidade preferida, porque não é. Mas porque é uma cidade especial e encantadora e de importância histórica e que, de alguma maneira, nos faz mais humanos. Pois ao sair da palestra de Amós, eu acrescentei um item à minha teoria: todas as pessoas no mundo deveriam poder conhecer Paris e assistir uma conferência de Amós Oz. Foi uma experiência que mudou minha vida. E tenho certeza de que a literatura dele mudará a sua. Portanto, leiam Amós Oz. 

"Tudo o que nasce de um sonho, acaba tornando-se uma decepção." (Amós Oz)

Após a conferência, foram distribuídas 100 senhas para autógrafos (só para quem tinha o livro) e teve um coquetel de recepção aos convidados e aos não-convidados. Isso mesmo: quem estivesse por ali era muito bem-vindo a brindar os 25 anos da Companhia das Letras. 




Confesso que não resisti a tietagem quando encontrei com Fernando Morais e disse, num sussurro quase tímido:

- Estou apaixonada pelo seu livro! - Referindo-me ao Os últimos soldados da Guerra Fria, leitura altamente recomendável. E, em resposta, obtive um grito entusiasta que jogou minha timidez para beeem longe:

- Ahhhh! Jura?? Fico feliz! Conte para todos os seus amigos, então!

E lá ficamos, eu e Fernando Morais, conversando sobre os personagens malucos e reais dessa não-ficção mais ficção que já li em toda minha vida! 
A noite de ontem reuniu grandes nomes do mundo editorial. Grandes editores, tradutores, ilustradores, revisores, livreiros, autores e muito mais. Mas para quem estava lá, era uma noite de reunir os amigos, de reviver os velhos tempos, de lembrar histórias, e de brindar à felicidade e ao sucesso de todos, os que foram, os que são e os que sempre serão parte da história da Companhia das Letras.

Parabéns! 

--

PS: Vocês devem estar se perguntando como é que euzinha aqui fui parar nessa história, né? Pois caso não se lembrem, meu pai trabalhou na Companhia das Letras há muitos anos e recebemos o convite em casa para participar do evento (obrigada, papi, seulindo!). O que me faz lembrar de elogiar, mais uma vez, a Companhia, por ter tido a delicadeza de não esquecer de nós. E vale dizer que já contei AQUI que foi exatamente isso que me influenciou a trabalhar com livros hoje. Por isso o carinho tão especial com esta editora.

PS2: Na pressa de sair de casa ontem, procurei rapidamente por algum bloco de anotações que coubesse na minha pequena bolsa. Mas só durante o evento, percebi que o tal bloco era um brinde da própria Companhia, da época do lançamento de "O homem que matou Getúlio Vargas", best-seller de Jô Soares (que aliás, acabou de lançar "As esganadas", que também já está na lista dos mais vendidos). Coincidência? Bom, espero que seja. Afinal, todos sabem o quanto Luiz Schwarcz gosta de uma boa coincidência! 



9 de jun. de 2011

25 anos de Compahia das Letras. É muita festa, minha gente!!

A Companhia das Letras comemora 25 anos e quem celebra somos nós!!
Olha que demais a programação que recebi da Diana Passy.





º Encontro Quadrinhos na Cia. abre as comemorações de 25 anos da Companhia das Letras. Conferências com Alex Ross, Amós Oz, Antonio Damásio e Ricardo Piglia fazem parte dos eventos previstos para o 2º semestre.


A editora Companhia das Letras preparou uma programação de eventos para comemorar em grande estilo os seus 25 anos, que serão completados no dia 27 de outubro de 2011. Todos os selos da editora estão envolvidos, assim como o time de funcionários, colaboradores e autores.

Em promoção especial de aniversário, a Companhia selecionou setenta títulos que terão um desconto especial de 50% em 2011. Serão dez títulos por mês que poderão ser encontrados nas principais livrarias do país.

Uma série de eventos abertos ao público irá festejar todos os selos da casa. A começar pelo selo Quadrinhos na Cia., reunimos um time de peso, recrutado por Fábio Moon e Gabriel Bá, para falar sobre o mundo das HQs. Serão quatro mesas com temas que vão da nova geração de quadrinistas até os profissionais que fazem carreira no exterior. O 1º encontro Quadrinhos na Cia. acontecerá no sábado, 21 de maio, das 11h às 21h, na Loja de Artes da Livraria CulturaConfira a programação detalhada no convite.


A Companhia das Letrinhas vai fazer a festa. O evento acontecerá em São Paulo, no Centro Cultural Rio Verde, no sábado 11 de junho, das 10h às 14h. Contação de histórias, música, teatro, oficinas, pipoca, balão, autógrafos e outras surpresas aguardam nossos pequenos leitores.

Como parte dos lançamentos de 25 anos da Companhia, será publicada uma coleção com doze títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura. Cada volume, em capa dura e revestida de tecido, terá tiragem única de 3000 exemplares, com projeto gráfico de Raul Loureiro e Claudia Warrak. Os quatro primeiros títulos, a serem publicados em junho, são Amada, de Toni Morrison, Desonra, de J.M. Coetzee, Ossos de sépia, de Eugenio Montale e Jovens de um novo tempo despertai, de Kenzaburo Oe.

A programação continua no segundo semestre, quando estão previstas várias atividades, entre as quais um ciclo de grandes conferências em São Paulo e Rio de Janeiro, com participação dos escritores Alex RossAmós OzAntónio Damásio e Ricardo Piglia.
Os selos Claro Enigma e Cia. das Letras promoverão uma série de encontros para professores em São Paulo e Rio de Janeiro. Alberto da Costa e SilvaAna Maria MachadoDrauzio Varella são os autores que compõem o time de palestrantes.

Penguin-Companhia das Letras não poderia ficar de fora dessa programação. Nos dias 15 de agosto, 19 de  setembro e 17 de outubro às 20h30, no teatro Eva Herz, haverá leituras de obras de Lima Barreto, Machado de Assis e Joaquim Nabuco pela Cia. Livre de Teatro, dirigida por Cibele Forjaz.

Os detalhes da programação serão informados pelo nosso blog, acompanhe pelo link www.blogdacompanhia.com.br/25anos

31 de mai. de 2011

A festa de 1 ano do Blog da Companhia das Letras

O Blog da Companhia nasceu numa mudança muito grande dentro da própria Companhia das Letras. Antes, a editora seguia a política de que, falar com os leitores era papel da livraria e não da editora. Mas o mundo mudou e as redes sociais tornaram essa relação muito mais próxima. A Companhia não podia ficar de fora. Assim, nasceu o Blog da Companhia, com o principal objetivo de não ser uma página instutucional, mas sim de paroximar leitor, editora e autor.

Na 3a. feira, 24/05/11, o Blog da Companhia comemorou seu primeiro ano de vida. E como não poderia deixar de ser, foi tudo em grande estilo. O evento fez parte de uma série de comemorações dos 25 anos da Companhia das Letras (post futuro, é claro!)

A festa, aberta ao público (sacada sensacional, diga-se de passagem) foi no Espaço Mais, na Vila Madalena, bairro com fama de 'cult', em São Paulo. Num clima extremamente agradável e quase familiar, a Companhia das Letras recebeu seus colunistas,  convidados e visitantes para um debate sobre o papel dos Blogs Literários, cada vez mais presentes no mundo online. Para recepcionar os convidados, a festa teve gosto brasileiro: barquinhas de tapioca, pão de queijo e cerveja; unidos ao bom samba-jazz, davam um tempero especial ao clima de espera. Antes mesmo de o debate começar, era possível perceber a mistura do mundo digital, com o universo literário. Afinal, a timeline do Twitter já estava repleta de posts a respeito do evento.

Nós, os convidados, estávamos em casa! (E tinha como não estar? Foi só aparecer por ali, que a Elisa, editora da Companhia, veio conversar comigo: "Você é a filha do Ivo, né? Você é igual a ele, muito fácil de reconhecer! - Tem como não amar isso? rs!)
 

A melhor parte do evento foi dar cara a esses colunistas do Blog da Companhia, pessoas que acompanho semanalmente, e de quem já sou capaz de identificar os textos, as caracteríticas de escrita e com quem já crio alguma relação ainda não especificada. O fato é que, de uma maneira ou de outra, esses colunistas fazem parte do meu dia a dia, da minha semana e do meu universo de blogueira e literário.

Público assistindo o debate sobre Blogs Literários.


Estavam ali presentes o André Conti (que era também o mediador do debate), a Carol Bensimon (a @juju_gomes e a @julhama não resistiram à tietagem ao ver a autora sentada ao lado delas, rs), o Erico Assis (que sentou do meu ladinho e eu tive que me controlar), a Júlia Moritz Schwarcz (que quase recebeu um abracinho meu, porque quem é editora das Letrinhas merece muitos abraços), o Luiz Schwarcz (que é o dono da editora e que vocês estão cansados de saber o quanto eu admiro) e o Michel Laub (que também tive que me controlar pra não correr pro abracinho, rs).

Outra coisa que fez esse encontro ser especial, foi a transmissão ao vivo. Isso mesmo, stream em tempo real do debate com os blogueiros literários convidados. E se vc perdeu a festa, pode conferir o vídeo AQUI.

O debate com os blogueiros literários convidados contou com a presença de Raquel Cozer, do blog A biblioteca de Raquel, do Estadão; Sergio Rodrigues, do blog Todo Prosa, da Veja; e Flávio Moura, do blog do Instituto Moreira Sales. Mediada pelo editor da Companhia das Letras, André Conti, a discussão foi desde o fim do livro impreso (ai, de novo! rs), até o papel dos blogs literários na formação de opinião de construção ou não de novos leitores e escritores. A única coisa que deixou um pouco a desejar, foi a prticipação do público: estava cheio de blogueiros por lá e as perguntas foram bem poucas! Uma pena! 

Flavio Moura, Sergio Rodrigues, André Conti e Raquel Cozer


Mas farei um post em breve tratando apenas das questões debatidas, porque vale muito a pena! 

Como tudo que a Companhia das Letras faz, o evento foi impecável. Parabéns à editora e, em especial, à Diana Passy, responsável por este trabalho incrível que a editora faz com suas redes sociais. 


Blogueiros reunidos: @casmurros, @julhama, @juju_gomes, @ta_camargo e @dianapassy


--
Veja mais fotos do evento AQUI.

28 de fev. de 2011

Adeus, Moacyr!

O dia de ontem era inevitável: todos nós sabíamos que Moacyr Scliar nos deixaria em pouco tempo. Mas nem por isso, fora menos dolorido. 

O médico sanitarista, começou a escrever em 1970 e acabou trocando a medicina pela literatura. Scliar também recebeu, pelo romance "A Majestade do Xingu", em 1998, o Prêmio José Lins do Rego, da Academia Brasileira de Letras, onde era titular da cadeira nº 31. Teve mais de 70 livros publicados, dezenas de traduções da mais alta qualidade, ganhador de três prêmios Jabuti (2009, 1993 e 1988) e do prêmio Casa de Las Américas em 1989. 


Ele era um daqueles escritores com habilidade nata para escrever. A imaginação lhe fluía nas mãos... e pronto! Surgiam obras maravilhosas, que nos encantam e nos permitem correr todo esse universo incrível criado por ele, sem ao menos precisar sair do lugar!



Moacyr era, sem dúvida, um dos principais nomes da Literatura Brasileira. E vai continuar sendo. Porque se há algo eterno e imortal nesse mundo, é a literatura. E isso, ele sabia fazer como poucos.



---

  • Moacyr Scliar faleceu à uma da madrugada de 27 de fevereiro, foi velado na Assembléia Legislativa de Porto Alegre, RS, ontem, durante todo o dia; e o sepultamento foi realizado nesta segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011, às 11h, em cerimônia reservada a familiares e amigos no Cemitério do Centro Israelita da capital gaúcha.

Moacyr Scliar, minha segunda mãe e O final da história


22 de fev. de 2011

E quando seus lugares favoritos deixam de existir?

Há um mês, li no Blog da Companhia das Letras um post que o Luiz Schwarcz publicou diretamente de Nova York, onde passava férias. O post, que levou o nome de Edição Extraordinária, trouxe a triste notícia do fechamento de umas das mais belas livrarias que tive o prazer de conhecer e de me deliciar por horas!


A Barnes & Noble que ficava localizada em frente ao Lincoln Center, um dos lugares mais fantásticos que já visitei, fechou as portas! E essa notícias me foi devastadora!
Minha última visita à Barnes & Noble do Lincon Center.



Lincon Center, NYC.
Quando li o artigo do Luiz, fiquei louca atrás das minhas fotos da minha última visita a esse local (e só achei agora, o que justifica meu delay do post) para poder reviver uns últimos minutinhos daquele cantinho, que ficava numa das esquinas mais glamurosas, numa das cidades que mais me encanta no mundo.

Lembro da minha última visita, quando os termômetros anunciavam exatos 32º F, que equivale a 0º C, ao meio-dia, numa fria e ensolarada manhã de inverno. Entrei na Barnes & Nobles procurando me aquecer, e não saía nunca mais de lá. Minha irmã, companheira de viagem, já estava impaciente: "Tá bom, Tali, aqui é muito legal. Mas se não atraversarmos a rua, vamos perder o Ballet!!", dizia ela, já quase irritada com meu vício. 

A loja não era uma delícia?
E, em seguida, me peguei chateada de verdade com a notícia. Logo eu, uma defensora voraz da modernidade, dos e-books, dos e-readers, dos e-tudomaisqueforpossivel! Justo eu, que acredito que o livro digital chegou para ficar, mas que jamais seriá capaz de roubar o brilho do livro impresso. E, depois de saber que um lugar como este fechou as portas justamente pelo crescimento devorador dos e-books, bateu uma pontinha de insegurança aqui dentro. 

Tudo muito aconchegante!

 Eu ainda não mudei de ideia. Continuo convicta de tudo que disse acima. Mas agora, acrescento um adendo: o advento da modernidade do livro digital vai trazer perdas irreparáveis e dores em cada um de nós, que iremos, aos poucos, vermos nossos cantinhos preferidos fechar as portas, um a um. 

E caberá a nós, carregarmos nossos e-readers para afogar nossas mágoas.




Interior da antiga Barnes & Noble do Lincon Center, em NYC.

12 de jan. de 2011

[Novidade no ar] MÁ COMPANHIA - O novo selo da Companhia das Letras

Li no Blog CASMURROS sobre o lançamento do MÁ COMPANHIA, o novo selo da Companhia das Letras, que será lançado em março de 2011, com livros dos escritores "malditos" na literatura brasileira e internacional.

As primeiras publicações serão de Reinaldo Moraes (com o relançamento de "Tanto Faz" e "Abacaxi") e Marçal Aquino (com o relançamento de "O Invasor").

De acordo com a Editora, Má Companhia não se limitará a autores nacionais nem ao gênero romance. Poderá lançar poesia, ficção e não-ficção, bem como páginas estrangeiras.





Mais uma novidade certeira da Companhia das Letras, hein?!?

10 de jan. de 2011

[Dica de outras boas leituras] Pergunte à Companhia

A Companhia das Letras sempre inovando!
E, com as férias de alguns colunistas no mês de janeiro, a queria DIANA PASSY teve que ser rápida no gatilho para preencher o espaço vazio do Blog da Companhia. Uns palpites aqui, outras sugestões ali... E o post PERGUNTE À COMPANHIA está no ar!!

Desde que eu comecei a ter contato com o mundo dos blogueiros (os literários, em especial), não canso de receber perguntas sobre o que é trabalhar na área, como é o dia a dia deuma editora, qual é minha função extamente, como se dá a compra de direitos autorais, como funciona a publicação de livros nacionais e blábláBLÁ.
Em função disso, sugeri à Diana (e já aproveito para deixar aqui o meu MUITO obrigada a ela, que é uma fofa e sempre atenciosa comigo) que fizesse um post sobre isso. Mas ela foi além!




Blog da Companhia está aberto para receber as perguntas curiosas de vocês! O que você gostaria de perguntar para eles? Existe alguma parte do trabalho que você gostaria de entender melhor? Se você pudesse perguntar alguma coisa a alguém que trabalha na Companhia, o que seria?
Para participar, é bem fácil: basta deixar sua pergunta na caixa de comentários do Blog da Companhia. Será feita uma seleção pela equipe, que publicará as respostas aqui no blog na próxima quinta-feira.
Não percam essa oportunidade!! PERGUNTEM, PESSOAL!!



OBS.: Antes de fazer sua pergunta confira se ela não pode ser respondida pela página de contato da editora, informações sobre avaliação de originais e currículos já estão lá!


7 de jan. de 2011

[Novidade no ar] A Companhia das Letras nos presenteia com a CAIXA JOSÉ SARAMAGO

Quem é fã de SARAMAGO como eu levanta a mão!!! (Aliás, já leram os posts sobre ele? Dêem uma olhadinha AQUI, AQUI e AQUI! rs!)

A relação de Saramago com seu editor, Luiz Schwarcz e, portanto, com sua editora a Companhia das Letras era o que podíamos chamar de o mundo ideal da edição de livros. Pelo menos para uma espectadora apaixonada como eu! A maneira como o Luiz tratava, com carinho e respeito, das obras deste gênio da nossa língua e, acima de tudo, seu amigo é de se aplaudir!

E por isso mesmo a Companhia das Letras demonstra, mais uma vez, seu afeto ao Nobel português e lança, em sua homenagem, um box maravilhoso que reúne os seguintes livros do autor: "A caverna" (2000), "Ensaio sobre a lucidez" (2004), "Ensaio sobre a cegueira" (1995), "História do cerco de Lisboa" (1989), "A jangada de pedra" (1986) e "A viagem do elefante" (2008).




A CAIXA JOSÉ SARAMAGO já está disponível em todo o país e pode ser comprada por R$ 209,00.

10 de dez. de 2010

[Dica de outras boas leituras] Pergunta pra quem sabe!

É incrível como a Companhia das Letras sempre me impressiona! Não me refeiro apenas às publicações de excelente acabamento e qualidade, não! As recentes ações da editora têm ganhado minha atenção e meu respeito cada vez maior!

A última deles foi fazer um post no BLOG DA COMPANHIA com indicações da própria equipe a respeito dos melhores livros na opinião deles! Não é demais? Os donos da casa contam quais são seus livros preferidos! E o mais bacana é que não tem diferença: as opiniões vêm desde o Luiz Schwartz, dono da editora, até os vendedores!
Dica melhor que é essa não tem, né?
Então, aproveita e corre lá para conferir de perto e aumentar sua biblioteca!



INDICAÇÕES DE FIM DE ANO - PARTE 1 - A equipe editorial conta quais são seus preferidos.








INDICAÇÕES DE FIM DE ANO - PARTE 2 - A equipe comercial conta quais são seus preferidos.






2 de dez. de 2010

LIVRO: Presente para toda a vida

Eu sempre fui da opinião que são os pequenos detalhes que fazem toda a diferença em tudo. E sim, eu sei que é um tanto quanto clichê. Mas ontem, quando cheguei em casa, vi um mini-livro da COMPANHIA DAS LETRAS em cima da minha escrivaninha e achei a coisa mais delicada e charmosa que vi nos últimos tempos.

Um pequeno catálogo, com um apanhado das melhores publicações de casa um dos selos, como dicas de presente. E em época de festas de fim de ano, foi uma casaca de marketing e tanto, não é mesmo?
Em 16 páginas, o material traz aquilo que os editores consideram de melhor para que você presenteie aqueles de quem gosta.



Há algum tempo publiquei aqui um POST aqui sobre presentear os amigos, familiares e todos com livros. Mesmo que acrescente algo a mais... Mas livros como presente, para mim, já é regra antiga! Afinal, como bem diz a campanha da Companhia das Letras, "LIVRO: PRESENTE PARA TODA A VIDA".


18 de out. de 2010

[Novidade no ar] Companhia das Letras comemora os 10 mil seguidores no Twitter com promoção imperdível!

Atenção senhoras e senhores seguidores compulsivos de editoras no Twitter: A Editora Companhia das Letras chegou aos 10 mil seguidores e, em comemoração, vai sortear 1 LIVRO POR HORA, até às 19hs. Mas fiquem atentos! Essa promoção incrível só é válida para HOJE, 18 de outubro de 2010.

": Companhia das Letras - Sortearemos um livro por hora, até as 19h, em comemoração por termos alcançado 10 mil seguidores!"



Para participar é simples! Basta seguir a editora no Twitter e, depois, twittar:

#cialetras10mil Eu quero ler + o nome do livro escolhido!



Ainda não segue a Companhia das Letras no Twitter?? Clique AQUI e dê um FOLLOW neles! Além da promoção de hoje, é uma das maiores editoras do país, com títulos muito bons e sempre com novidades no mercado! Vale a pena!!

Participem e boa sorte!! 

E PARABÉNS à editora, que merece essa conquista com mérito pela qualidade impecável de seu trabalho!

19 de ago. de 2010

Saramago merece muito mais!

Quando José Saramago faleceu e Luiz Schwarcz publicou o belíssimo texto no Saudade não tem remédio, no Blog da Companhia (que recomendei veemente a leitura no post de tal dia) e, para quem leu, sabe que ninguém melhor que ele, Luiz, para falar com tanta propriedade de alguém que, se para nós era um grande gênio da literatura e o Nobel da Língua Portuguesa, para ele, era simplesmente o "José". 
Quem me dera poder ter a humildades de referir-me a Saramago de maneira tão humilde e tão próxima! Ouvir Luiz Schwarcz falar de Saramago, é, de certa forma, sentir-se mais próxima deste cânone literário, que encantou meu coração com Ensaio sobre a cegueira

Talvez por isso tenha saído tão encantada da Bienal do Livro ontem, onde fui por um motivo especial: assistir a Homenagem a José Saramago, no Salão de Ideias, Clarice Lispector, com participação de LUIZ SCHWARCZ (seu editor brasileiro pela Companhia das Letras), JOÃO MARQUES LOPES (autor português de Saramago: Biografia, publicado pela Editora Leya), e MIGUEL GONÇALVES MENDES (cineasta do documentário José e Pilar, que estrei no Brasil em novembro deste ano).

Os três convidados, intermediados por um jornalista e abordados por perguntas da plateia, falaram com muito carinho sobre Saramago. 


João Marques Lopes, Luiz Schwacz, Miguel Gonçalves Mendes e jornalista.

Luiz Schwarcz e Miguel G. Mendes

Como editor, Luiz Schwarcz contou detalhes interessantes, como por exemplo, que interferia muito pouco no texto de Saramago; não só porque o próprio autor escrevia quase perfeitamente, mas também porque não deixava e não gostava de interferências. Era fiel ao seu próprio texto. Além do mais, não era da cultura dele com seu editor português esse tipo de interferência textual e Luiz respeitou isso. Luiz Revelou, também, que foi ele, junto com Pilar, esposa de Saramago, que comprou o primeiro computador ao mestre: até então, ele escrevia seus livros a mão, depois datilografava na máquina de escrever e, por fim, corrigia os erros e datilografava uma terceira e última vez, já se autoeditando e corrigindo. Ele escrevia seus próprios livros três vezes cada. Surpreendedor, não?

Já Miguel Gonçalves Mendes, que vivenciou o dia a dia do casal José e Pilar nos últimos quatro anos, contou como foi difícil fazer com que Saramago aceitasse essa ideia. Foi só depois de mostrar um outro documentário do cineasta sobr eum famosos poeta português, que Saramago se rendeu à ideia, mas ainda assim com receio de "não ser tão interessante". Como se isso fosse possível!! Miguel falou também do incômodo da relação que Portugal (leia-se aqui o Governo Português) tem de Saramago e foi o que motivou a fazer esse documentário, com o objetivo de mostrar o lado pessoal do grande autor, junto ao seu amor eterno, Pilar. O filme mostra o cotidiano, sem depoimentos, deste casal que, segundo o cineasta, "eram a dupla perfeita; formavam uma pessoa só". Ele, sempre genioso, e ela, muito mais calma e forte. 

João Marques Lopes, por sua vez, admitiu não ter tido contato pessoal com Saramago e que, seu gosto pela obra dele - que leu desde pequeno - o fez procurar a Fundação José Saramago a fim de escrever a biografia. Recebeu a autorização e, baseado em entrevistas e pesquisas, escreveu o livro que, na versão brasileira, traz um belíssimo caderno de fotos. João contou que Saramago chegou a ver a versão portuguesa de seu biografia e que elogiou muito o trabalho, salvo apenas uma única correção: Saramago afirma que que uma suposta proposta milionária de Hollywood para filmar Memorial do Convento, nunca existiu. 

Mas, para mim, o que valeu mesmo foram duas coisas: a primeira, foi ver o Salão de Ideias lotado de ouvintes e, principalmente, de um público interessado e cheio de perguntas que não acabavam nunca! A segunda, e mais marcante, foi ouvir as histórias de um homem tão simples, mas que consideramos aqui quase como um Deus (o que chega a ser irônico, em se tratando de alguém com tantas brigas com a igreja e religiões, rs!). 

O Biógrafo, o Editor e o Cineasta


Um pouco sobre Saramago (o ser humano por tráz do Nobel):

- Saramago, mesmo à beira da morte, sentia que ainda tinha muito o que dizer. 
- Ele não gostava de que suas obras ganhassem versão cinematográfica, pois não gostava de ver a cara de seus personagens. Ensio sobre a cegueira foi uma exceção à regra que comoveu muito o autor quando viu o filme pronto (vejam no post Caiu uma lagriminha... (Ainda sobre Saramago) que emocionante!)
- Ele era muito intuitivo.
- O Brasil sempre lhe foi um terrno muito fértil. 
- Sentia muita alegria por ter seu trabalho reconhecido em vida.
- tinha a certeza de que não veria sua decadência como escritor, pois começou a escrever muito tarde e sabia que morreria antes. 
- Não era extremamente popular e nunca fez sucesso em países como França, Inglaterra e Estados Unidos, por exemplo. 
- Não teve uma administração de seua carreria, não tinha noção do quanto de dinheiro ganhava e era fiel aqueles que sempre lhes ajudava. 
- Era muito simples e não vivia do luxo. 
- Sempre que vinha ao Brasil, morava na casa de seu editor, Luiz. 
- Quando tinha a certeza de que Viagem do elefante seria seu último livro, decidiu (numa viagem ao Rio de Janeiro) que escrevaria Caim. E escreveu. 
- Quando tinha a certeza de que escreveria outro livro depois de Caim, faleceu e não temrinou.
- O futuro de sua obra é incerto, mas não deixará de ser o que nos países em que já se consagrou, como o Brasil, por exemplo.

Mas de tudo que ouvi ali, de todas as histórias, piadas, contos e causos, teve algo que me marcou. Alguém na plateia, como última pergunta, pediu que cada um dos convidados contasse qual a lição que Saramago havia lhes deixado. E, como não poderia deixar de ser, Luiz deu uma resposta que não esquecerei jamais; realmente me comoveu: 

"Apesar do jeito carrancudo de Saramago, ele não conseguia evitar o sorrisos. E às vezes - bem poucas - até gargalhava. Ele tinha a noção de que tinha uma missão, mas que no fundo, não conseguiria: mudar o mundo. José viveu contraditoriamente a vontade de mudar o mundo". 


E e eu fui para casa pensando... O que eu fiz para mudar o mundo hoje? Eu também quero ir viver, mesmo que na antítese, a vontade de realizar meus sonhos. Miguel Gonçalves Mendes tem mesmo razão: "Saramago era altamente inspirador para todos nós. Ele ia até o limite." 

---
OSERVAÇÃO: 

- Luiz Schwarcz anunciou uma homenagem a Saramago, que será realizada no dia 21 de setembro, de 2010, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Será uma exposição de uma fotobiografia do autor, chamada A consciência dos sonhos. Publicarei maiores informações quando sair, mas desde já, sintam-se todos convidados pelo próprio editor, que ficará muito feliz com o sucesso do evento.

- Para verem todas as fotos que tirei do evento, basta acessar o ÁLBUM DE FOTOS DO PICASSA

25 de jul. de 2010

AS MELHORES EDITORAS DO BRASIL EM 2010

Muitos de vocês devem ter achado meu post anterior uma babação de ovo para a Companhia das Letras, e talvez até me acharam louca de contar desse Sonho de Criança, sendo que trabalho em uma outra editora, que gosto tanto e visto a camisa mesmo.
Mas nada é por acaso. E eu só quis fazer uma breve explicação antes de postar aqui uma matéria do jornal Valor Econônico, com o Ranking das melhores editoras do Brasil em 2010. Adivinhem só quem ocupa a 1ª posição?? Sim, ela mesma! A minha queridinha Companhia, seguida pela belíssima Cosac Naify.
Leiam a matéria na íntegra, a seguir. Vale muito a pena! 
E Parabéns à Companhia das Letras, a ao Luiz Schwarcz e sua equipe, pelo título mais do que merecido!!







Por Márcio Ferrari, para o Valor Econômico, de São Paulo



Em número totalmente dedicado ao Brasil no mês passado, a "Wallpaper" abriu espaço, entre alguns assuntos mais previsíveis como top models, Oscar Niemeyer e música popular, para uma chamada de capa que anunciava um boom de livros no Brasil. A reportagem referia-se não só às editoras, mas também às livrarias. Não há dúvida de que as coisas mudaram para melhor, como constatou a revista britânica. Nos últimos três anos, o número de livrarias no país cresceu 10%, segundo o Diagnóstico do Setor Livreiro, que a Associação Nacional de Livrarias (ANL) divulga na terça-feira, às vésperas dos dois principais eventos literários do ano no Brasil: a cultuada Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e a superlativa 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Nesse novo capítulo da história do livro nacional, o Valor promoveu uma enquete com um grupo de críticos e professores para identifical qual é a melhor editora do Brasil. A Companhia das Letras ficou em primeiro lugar (81%), e a Cosac Naify em segundo (76%). E, mesmo que em quantidade de votos menor, número significativo de outras editoras foi mencionado, numa evidência de que o mercado editorial brasileiro vive um bom momento em qualidade e diversidade. Os votantes e os responsáveis pela linha editorial das duas casas mais votadas concordam que o panorama é um dos melhores da história do livro no Brasil. Para o diretor editorial da Cosac Naify, Cassiano Elek Machado, a reportagem da "Wallpaper" foi um sinal inesperado dessa vitalidade.

"Estamos vivendo um momento de esplendor", afirma Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, empresa que teve faturamento de R$ 56 milhões no ano passado. "O mercado todo se profissionalizou e os governos vêm investindo em educação, o que para as editoras é melhor do que isenção fiscal." Augusto Massi, editor-presidente da Cosac Naify, vê na própria empresa, fundada há 13 anos, os reflexos "de um público mais formado e de um comércio de livros mais profissionalizado": "De três ou quatro anos para cá, a editora amadureceu, mudou de patamar e de visibilidade".

A pesquisa promovida pelo Valor não teve a intenção de medir a eficiência empresarial, mas indicar as editoras que mais se destacam culturalmente. A votação se encaminhou naturalmente para a ênfase nas áreas artístico-literária e das ciências humanas e muitos dos votantes mencionaram a capacidade de interferir na vida cultural e de formar leitores como critérios para medir a qualidade de uma editora. Aos 21 especiliastas consultados, foi pedido que fossem escolhidas as três melhores casas editoriais. Ficaram de fora as áreas mais especializadas, como as dos livros técnicos, os de autoajuda e os didáticos e paradidáticos, embora a grande movimentação nesses setores nos últimos anos, em que ocorreram grandes fusões e incorporações, certamente influi no quadro geral.

Muitos dos votantes atribuíram à Companhia das Letras, que completa 25 anos em 2011, o estabelecimento de um padrão de qualidade que se tornou referência no mercado editorial. Massi concorda e considera a Cosac uma beneficiária desse precedente. Alguns dos integrantes do júri compararam a Companhia à antiga José Olympio, a casa editorial brasileira mais importante do Brasil entre os anos 30 e 60, traçando uma linhagem das boas editoras brasileiras. Algumas das mais tradicionais ainda estão em forma. É o caso da Martins Fontes, que, para a professora Maria Lúcia Dal Farra, "é uma daquelas editoras sérias que seguram o tranco sem aparecer muito, apesar de sempre ativas".

O próprio Schwarcz, ao criar a Companhia das Letras, vinha da experiência de trabalho na Editora Brasiliense, que marcou época entre o fim dos anos 70 e início dos 80 com uma linha de livros voltada para o público jovem. Schwarcz percebia a existência de um leitor em formação que a Brasiliense não tinha entre suas prioridades acompanhar e essa foi uma das percepções que o orientaram na nova editora. "Foi um pouco empírico", diz ele sobre seu projeto inicial. "Eu acreditava que havia a possibilidade de uma editora mais radical, em termos de proposta de qualidade, com um misto do que já havia no mercado" - isto é, a atualização gráfica de uma, a qualidade do catálogo de ciências humanas de outra, o modelo empresarial moderno de outra ainda.


A radicalidade veio da determinação em contrariar a regra amplamente aceita de que os títulos comerciais pagam os de prestígio. "A ideia era que a Companhia das Letras não precisaria de best sellers, mas também não se permitiria encalhes", conta Schwarcz. Segundo ele, a editora foi pega de surpresa quando alguns dos primeiros lançamentos entraram nas listas dos mais vendidos. O exemplo típico é o de "Rumo à Estação Finlândia", o relato da Revolução Russa escrito pelo crítico literário americano Edmund Wilson, livro que foi uma espécie de cartão de visita da Companhia ao entrar no mercado.

O clássico de Wilson marcou também uma das apostas iniciais de nicho da editora, a "não ficção narrativa", tradição intelectual anglo-saxã pouco explorada num ambiente cultural mais caracterizado pela tradição europeia. "O projeto inicial era definido como o de uma editora literária de ficção e não ficção. Com o tempo ele se ampliou, se abrindo para a literatura jovem e infantil. A primeira área separada foi a dos policiais e hoje chega até comida e aventura." A editora se tornou mais comercial? "Não mudou, na minha opinião. Nós publicamos Thomas Bernhard ["O Imitador De Vozes"] . Mantemos a aposta em autores brasileiros. Há um ou outro livro no limite do comercialismo, mas mesmo Stieg Larsson [trilogia "Millennium"] é um autor de qualidade no gênero policial."

Numa referência aos requisitos de qualidade de uma editora, um dos votantes, o professor Sergio de Sá, da Universidade de Brasília, citou o "cuidado no tratamento gráfico-editorial do produto, com uma identidade reconhecível à primeira folheada". Nos projetos tanto da Companhia das Letras quanto da Cosac Naify esse aspecto fez parte da própria criação da identidade da empresa. "Pretendi ter uma marca, com a escolha da tipologia, do papel e até da entrelinha", diz Schwarcz. "Dizem que Deus está nos detalhes. Nos livros isso é uma verdade absoluta." Na Cosac Naify, a marca existe, mas, paradoxalmente, sua característica principal é uma diversidade extremada.

A editora começou com a publicação, em 1997, de livros de artes visuais, algo incomum no Brasil, e mantém uma imagem diferenciada, para dizer o mínimo, entre as concorrentes. "As boas editoras cumprem a importante função de balancear o compreensível interesse comercial com ousadia, mas a Cosac parece ser só ousadia", comentou um dos votantes. Massi concorda em parte. "O nosso luxo é a ideia", afirma ele, relativizando a fama de que a editora produz livros caros, que seriam, portanto, vendidos a preços igualmente caros.

Um dos títulos mais vendidos da Cosac Naify, "Bartleby, o Escrivão", de Herman Melville, tinha uma concepção arrojada e barata, usando revestimento impermeável de carburador para a capa. Ganhou um prêmio de design e na época de lançamento, 2005, saiu com preço abaixo de R$ 30,00. Prêmio de design, por sinal, é o que não falta no currículo da editora, que já vendeu ilustrações feitas para seus livros a casas europeias.

"Nós introduzimos algo de novo no mercado, pensando para cada livro um conceito exclusivo", diz Massi. Ele já percebe a influência desse projeto em outras editoras. "Todo mundo mudou suas capas, fazendo escolhas que antes não faziam", observa. O esforço em estabelecer uma marca visual faz parte da intenção geral de "criar repertório" e "formar um leitor especial".

Para isso, a editora adotou o hábito de acompanhar os livros de autores ou artistas consagrados com prefácios, posfácios e quartas capas, encomendados a especialistas (muitas vezes inesperados, como o cientista social Paulo Sérgio Pinheiro para comentar "Ressurreição", de Liev Tolstói, que trata, em parte, do sistema prisional), índices onomásticos e sugestões de leitura. Trabalha-se com frequência com uma certa noção de parentesco entre os títulos publicados que criam um universo de relações para o leitor - obras dos mesmos autores, como William Faulkner, para o leitor adulto e para a criança, artistas que têm a obra enfocada num livro e criam a capa de outro, além de livros de referência que sistematizam as áreas temáticas cobertas pela editora.

Tudo isso já se encontrava, de alguma forma, no início da editora, que foi um pouco problemático. Ela foi criada em bases marcadamente idealistas pelo editor Charles Cosac, colecionador e crítico de artes plásticas, com uma proposta de intervenção num setor incipiente no Brasil. Mas já havia outras iniciativas em áreas que até hoje dão sustentação à editora, como a coleção de cinema a cargo do crítico Ismail Xavier, a reedição de autores brasileiros importantes, como João Antônio, e mesmo um início de produção no campo da literatura infantil, que depois seria um dos pontos fortes do catálogo e responsável pelo seu maior sucesso comercial - os livros do personagem Capitão Cueca, que atingiram uma tiragem de 70 mil exemplares.

Chegou-se, e já faz algum tempo, a um nível em que a editora toma cuidado para não crescer mais, pretendendo se manter numa escala "média" dentro do mercado. Segundo Massi, o risco seria perder o vagar necessário para a produção de um livro como o recém-lançado "Maria", volume exaustivo sobre a obra da escultora brasileira Maria Martins, que demandou dois anos para ser feito. O projeto revê praticamente a obra integral da artista. Todas as obras disponíveis ao público foram fotografadas especialmente para o livro por Vicente de Mello, mesmo aquelas que já contavam com registros de boa qualidade, como as expostas no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. Apesar da sofisticação e do impacto desse tipo de iniciativa, Massi aponta a delicadeza que caracteriza um esforço quase artesanal: "É um trabalho miúdo que pode se desfazer rapidamente".

Quando foi contratado pela Cosac Naify, dois anos e meio depois da fundação, a editora se encontrava deficitária, cercada de rumores de que iria fechar que persistiram durante um bom tempo. O começo da recuperação se deu com a criação da coleção "Prosa do Mundo", constituída de títulos de autores clássicos já passados para o domínio público, o que permitiu uma economia em direitos autorais, compensada por investimentos no tratamento propriamente editorial.

Assim, logo no lançamento da coleção, a editora conseguiu emplacar dois sucessos de venda com duas obras consideradas eruditas, "O Diabo e Outras Histórias", de Tolstói, e "Niels Lyhne", de Jens Peter Jacobsen, autor dinamarquês muito pouco conhecido. Com esses e outros bons resultados comerciais, foi possível manter a atividade "de ponta" da editora, presente em publicações como ensaios clássicos na área de ciências humanas e nos já tradicionais livros de arte, que hoje abrangem praticamente todas as áreas criativas, da arquitetura à moda.

A Companhia teve um início melhor porque surgiu no clima de entusiasmo do curto período de vigência do Plano Cruzado, um intervalo nos tempos de inflação desenfreada. Com o confisco do Plano Collor, no início de 1990, "80% do dinheiro sumiu", segundo Schwarcz. A primeira tentativa de contornar a situação comercialmente foi o lançamento de uma coleção de livros pequenos de análise conjuntural. Não deu certo. A editora estava com o primeiro volume da coleção "História da Vida Privada" pronto para rodar. "A gente não tinha como pagar a gráfica, mas a gráfica também não tinha serviço", lembra-se Schwarcz. Foi assim que a penúria criou a oportunidade para um estouro editorial, que popularizou no Brasil a escola da história das mentalidades. Schwarcz considera esse um dos pontos altos da editora, ao lado das biografias ("Chatô", "Anjo Pornográfico" etc.). Ele espera um impacto semelhante dos lançamentos do selo Penguin Companhia, resultante da associação da editora com a Penguin Classics.

Num país imenso, com poucas livrarias e hábitos de leitura ainda sendo criados, a distribuição é um dos grandes problemas do mercado editorial, embora a Companhia das Letras e a Cosac Naify considerem as dificuldades em boa parte superadas. A Companhia partiu para o sistema de consignação total, que hoje é prática comum. Foi o jeito, na época de inflação pesada, de lidar com uma situação em que havia boas vendas, mas a editora não formava caixa e ainda tinha de arcar com as devoluções. A Cosac investe num contato de divulgação direto com as livrarias individualmente e com seus vendedores, aproveitando a fase de sofisticação do setor. "Fala-se muito em livro eletrônico, mas as livrarias ainda têm uma vida longa e sólida pela frente", afirma Luiz Schwarcz.

Nem tudo é elogio para as vencedoras da enquete. Há quem considere a Companhia das Letras uma editora excessivamente paulista. "Talvez a presença física da sede da editora em São Paulo influa um pouco nas escolhas", afirma Schwarcz. Alguns dos votantes também criticram as duas editoras por não lançarem tantos autores brasileiros quanto seria desejável, comparando-as desfavoravelmente à editora Record nesse aspecto. Schwarcz responde: "A Companhia pode não ser a mais garimpeira de novos talentos, em parte porque não abandonamos nossos autores; somos bem exigentes e talvez seja um erro não investir em alguns talentos que ainda não estão prontos". Também a Cosac se considera um pouco devedora na publicação de autores brasileiros, embora Massi também afirme a fidelidade da editora a seus autores.

As duas editoras adotam uma mesma estrutura que se distancia da antiga tradição centrada na figura de um único editor - marca, por exemplo, da respeitada Perspectiva, "casa de poucos recursos, não comercial e civilizadora", nas palavras da professora Leda Tenório da Motta. A Companhia trabalha com o que Schwarcz chama de "máquina pesada" de editores juniores e seniores que, entre outras coisas, responde por repetidas leituras e revisões, participação em todas as etapas de produção, acompanhamento do autor e conhecimento do público-alvo. A Cosac Naify, que tem um editor para cada área temática e semanalmente realiza uma "reunião de conceito" com toda a equipe, está agora derrubando paredes de sua sede, em São Paulo, para intensificar a interação profissional.

O período que se aproxima é de exposição, com a participação das editoras na Flip e na Bienal. Entre outras, a Companhia das Letras levará para o debate com o público o polêmico Salman Rushdie. A Cosac trará tanto para a Flip quanto para a Bienal o biógrafo americano de Clarice Lispector, Benjamin Moser. A editora também dará atenção especial à área infanto-juvenil na Bienal. Um dos lançamentos será a estreia das historinhas do Snoopy na Cosac, com comentário de Umberto Eco. "Até nosso Snoopy é cabeça", brinca Cassiano.